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Thaís Bicas
Perto de ser
Escrito por Thaís Bicas


Se isso não é o fim, está perto de ser.

O fim de algo que eu - sozinha - ousei querer.

É provável que nada disso chegue a seu conhecimento - e confesso que a parte de mim que queria que sim anula a que não. É provável que você não veja o que está escancarado nos meus olhos que tentam desviar do teu rosto pra não chorar, pra não te ter tendo piedade de mim, pra que você não me julgue infantil e idiota por ser capaz de cultivar algo maior que mim mesma por quem está pouco se fodendo. 
Eu raramente me encanto por alguém. 98% dos caras passam batidos por mim sem que eu carregue algum remorso por nem sequer ter dado uma chance. É difícil, muito difícil, mexerem comigo a ponto de pensar em tentar apesar de um histórico vasto de fracassos. Posso contar nos dedos de uma só mão aqueles que eu quis de modo cego. E você foi um deles - na verdade, nesses meus 21 anos e 8 meses, você ocupa o primeiro lugar na lista dos pelos quais me apaixonei. Nenhum outro me fizera tão louca, me fizera mudar e me perder de tal forma. 
Mas isso não basta - ah, quem dera! É necessário reciprocidade. Porque, sim, quando um não quer dois não brigam - nem se amam. E você, meu bem que nada é meu, não carrega nesse coração frio ao menos 1% disso que eu tenho aqui comigo e que costumo chamar de cruz, sina, trabalho de amarração feito em terreiro por alguém que queria me ferrar - e, olha, conseguiu. 
Sigo devastada, destruída, em pranto, dor e agonia, enquanto te assisto ser feliz, leve, sem fincar raiz, tendo um harém aos seus pés e não precisando de mim para porra alguma. Não que você tenha obrigação de - alias, é isso que torna toda essa patifaria 100% patética. É que… parece injusto demais. Parece castigo por querer demais.

Se isso não é o inferno, está perto de ser.

 

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Ederson Oliveira
Breve Angústia Documentada
Escrito por Ederson Oliveira

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Longe de tudo que faz sentido pra ele, cada minuto vem cheio... de nada. Não é falta do que fazer, nem de lugares pra ir, nem de pessoas pra conversar. O problema é que faltam coisas que honrem o brilho dos olhos: estão escassos lugares que façam jus aos mais elaborados planos de mudar o mundo e se escondem os que muito têm a falar.

Não podem dizer que o rapaz não tenta. Ele até finge que curte certos tipos de músicas, autores que nem conhece e comidas que sequer sabe o gosto. Tudo isso para tentar ser maleável e se adaptar ao que vive agora. Acho que foi aí que ele errou...

Cadê aquela certeza que iria viver suas convicções, porra? Aquela gana de acordar por ter uma briga pendente com a vida? Agora restam angústias, sorrisos amarelos e uma ponta de crédito no futuro condenado pelo presente.

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Henrique Rodrigues Reis
A verdade e a justiça, contradiz o conceito dos pais
Escrito por Riquee

 

O homem nasceu livre e, por toda a parte, vive acorrentado. Acho que devemos fazer coisas proibidas senão, sufocamos. Mas sem sentimento de culpa e, sim, como aviso de que somos livres.
Liberdade significa responsabilidade e é por isso que tanta gente tem medo dela - ou medo de proporcioná-la, pelo simples fato de que não é maduro o suficiente para deixar de lado a ignorância e a autoridade -, como se fôssemos pertences, objetos.

Todos temos asas e, para quem dizia que devemos deixá-las crescer, esta nos amarrando com uma corda de aço, hipocrisia e MUITO preconceito baseado em más influências e mentes fechadas de tempos atrás. 
Antes da independência, antes de conseguimos nos impor a alguém, temos de ficar sob alguém (mas, após isso, verá apenas minhas mãos, acenando). Nunca deixaremos de respeitar e amar quem deu continuidade a nossa vida, quem nos ensinou. Mas também, para que haja uma convivência, os dois lados têm de ceder, sabendo que não se pode fazer da preocupação uma prisão, porque pode ser tarde começar a viver apenas quando crescer, tendo que aprender TUDO o que não aprendemos desde cedo. Aí vem a humilhação, o desprezo e outras coisas vindas da sociedade, consequentemente trazendo vergonha, tristeza e revolta. Tá aí uma coisa que ninguém pensou, ou pelo menos fingem não pensar, isso gera a rebeldia, que eu chamaria de "desespero", "sede de viver", algo que não vem de dentro: é causada.

Cada um tem uma mente, uma forma de pensar. Não importa o quanto tentamos mudar o conceito dos outros, tudo será em vão. E é isso que várias pessoas não entendem. Por isso o RESPEITO é tão desejado. Eu, por exemplo, sempre vou respeitar muito a todos. Nunca tive preconceito de nada, e isso pra mim é uma qualidade, mas para outros, uma mera desculpa para espelhar o que sou. O objetivo de tudo isso que estou dizendo não é mudar os outros, mas sim conscientizar, fazer refletir, porque é chato viver para alguém. Todos temos limite e todos nos esgotamos uma hora. Um abraço a todos que estão sempre presentes comigo!

 

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Roberta
As gélidas
Escrito por Roberta


Então, essa semana foi assim:

pensando em como desabafar todos os poréns que você deixou em mim em letras.

Mil coisas me ocorreram,

mas o papel me fugia e aquele pensamento magoado ficava na intenção

e caia no esquecimento.

E o martírio da saudade daquela sensação,

na lembrança do que me causou,

incomodava…

Até que escutei seu pulsar novamente,

e outra vez as borboletinhas

resolveram me visitar como de costume.

Não pelo causar daquele significado antigo,

mas por genuíno costume.

Me acostumei a te querer e não ter,

que quando não tinha e muito menos te queria,

as gélidas me reapareceram.

Só para me lembrarem que já não mais te sentia

e de repente,

assim como finalmente,

me vi como uma curada.

Curada de uma dor que tanto doía 

e esmagava toda a minha essência.

Foi-se o que antes foi tanto. 

E se sobrou algo,

só pode ser o saudosismo de uma época que significou,

e já não faz sentido mais.

 

R.R.

 

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Samira
Aquela menina...
Escrito por Samira Assis

Quando eu era criança
Eu tinha um mundo
dentro da tampa da bolha de sabão
Meu mundo era aquele
Tinha mais cor que as obras fauvistas
Tinha mais leve, o peso do meu coração

Eu amarrava uma linha na sacola de supermercado
Subia na laje esperando a ventania
A ver de cima a sacola sobrevoar
Como se voasse a cidade inteira

Ali era o sentido do mundo
Não sentia meu corpo, canseira

Não sabia nada de rima
Não sabia o que era política
As ruas esburacadas serviam
Para encher de água e barquinhos de papel
Não tinha senso critico
Não sabia teoria musical
E tudo que fazia som
Coloria minha vida inteira

Eu brincava só
Mas solidão nem existia na época
Em tudo havia vida
Até nas sacolas de supermercado
Até no canto desafinado da vizinha

E hoje eu sinto saudade
Saudade daquela menina
Aquela que já habitava em mim.

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Manoelle
E se?
Escrito por Manoelle D'França


Se você disser que me ama, esperará que eu me entregue?

E se eu disser que nunca me entrego, nem aos meus obstáculos e nem a ninguém?
Se eu disser que te amo, você será incondicionalmente ao meu lado?
E se eu disser que o incondicional não há?

E se eu provar que não sou como as outras?
Que piso em todos que se curvam demais diante de mim?
Ainda assim tentaria encarar-me na altura dos olhos?
E se eu os fechar?

E se eu disser que não presto?
Decidirá correr incansavelmente atrás de mim?
E se eu disser que correr não adianta, porque só sei voar?
Ainda assim você decidiria pegar carona com um anjo?

E se eu disser que um anjo levaria-te alto demais, enquanto que eu voo quase com os pés no chão?
Ainda assim tentaria flutuar para alcançar-me?
E se eu disser que não sinto nada por ti, você acredita?
E por que será que, apesar de tudo, eu também não acredito?

 

Manoelle D'França

(Minha veia poética em uma fase meio clichê. Texto originalmente publicado em Maphago).