⌠ 32 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Manoelle
Colorida Desordem
Escrito por Manoelle D'França






     O amarelo era o elo singelo entre a cor e a coragem. Porém, avidamente a vida mente sobre a sequência das consequências.

    Do amarelo, amar e elo, surgem a cor, a coragem e o singelo. Do amarelo-coragem, procedem amar, elo e cor, que unidos agem.

    A simples desordem da ordem que desmonta as dez montanhas do pensamento, em certo momento.

    Do rubor da rubra dor, o que vem primeiro? O primo ou o herdeiro? Do tintureiro, a tintura ou o tinteiro?

    Desta desordem, seguem-se mais que dez ordens.


 

de Manoelle D'França
(Mais em http://maphago.blogspot.com)

⌠ 20 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Samira
Soneto de prata e segredo
Escrito por Samira Assis



A prata reluzia em seu dedo
Qualquer que fosse a do menino
Amortecia seu lábio fino
Que desvendasse meu segredo

E se ficássemos a sós
Eu esqueceria a cor da prata
Como um nó que desata
Se não formasse outros nós

Mas o juízo nos limitou
A apenas um olhar sereno
Que um dia brevemente nos fitou

Ele se levantou e deu um beijo
No meu rosto aquecido
Que se desfez em um solfejo

(Samira Assis)
 

⌠ 28 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Afonso Sauniére
Tanto a declarar
Escrito por Afonso Sauniére

Quem me dera que os anúncios de liquidação
fossem astros luminosos à vista
e a prazo fosse o tempo que me resta pra dizer
tudo que se entope na garganta.
Tudo que é preciso e, precisamente, não digo
esperando o segundo ato com medo do epílogo.
Já vi que há certas orações que, se não ditas,
o miocárdio sangra até morrer.
Conclusivamente, me declaro
sem tanto a declarar.
É que tem gente que me desassossega
com a fala tanta e leve,
com o gosto bom do mundo.
O gosto que Drummond sentiu.
O gosto que matou Romeu.
Que tanto roga em mim
o doce que o amargo faz
quando eu olho fundo.
Essa gente que deixa um som desafinado,
que inventa as cores de um abril chuvoso
e tudo ouve e tudo vê.
E eu vou contra a poesia
sem hipérbole nem clichê.
Nem vou me anunciar perdido
como se não vivesse sem ela.
Mas o sol ainda nasce naquela brecha
e ainda cabe entre nós dois.
Ainda tem aquele beija-flor no quintal
que tanto enfeitava a tarde.
Ainda tem o vento soprando forte
e eu ainda subo pra ver da janela.
Mesmo assim, eu não disse nada.
É que já são 3 da madrugada
e eu ainda fico pensando nela.

 

Fábio C.
Envio de Vídeos e Imagens
Escrito por Fábio Carvalho

Participe enviando seus video clips prediletos (hospedados no Youtube) ou imagens para nossa galeria (fotografias tiradas por você).

alt

Para enviar vídeos:

Na página para publicação de conteúdo, basta selecionar a seção "Multimídia" e a categoria "Vídeo" e colar o link da página em que o vídeo está hospedado. Ex.: http://www.youtube.com/watch?v=2_HXUhShhmY.

Para enviar imagens:

Selecione de 10 a 20 imagens e coloque em uma pasta compacta (zipada) e, por e-mail, anexe e envie para juventudecliche.com@gmail.com. O tamanho total do arquivo não deve ultrapassar 20 MB. No corpo do e-mail, insira um título para a galeria e coloque seu nome, endereço de e-mail para contato e se você é fotógrafo(a) profissional ou não.


Qualquer dúvida entre em contato através do menu Fale Conosco.

Juventudecliche.com - Construindo coletivamente informação e partilhando conhecimentos!

⌠ 7 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Kainan Ismar
A maravilhosa mudança na vida de Lady Olívia
Escrito por Kainan Ismar

Lady Olívia nunca acreditou em si mesma. Vivia uma vida pacata e nada encantadora de horas gastas num trabalho medíocre e noites apagadas em vinho barato.

Em sua infância fora uma garota quieta e resguardada. Seus pensamentos eram somente seus e seus olhos nunca se aventuraram no infinito acima dos joelhos das outras pessoas. Chamá-la de tímida naquela época era um devaneio vil, por ser a timidez o ato de descobrir o mundo como ele é e encolher-se de surpresa e horror pelo choque de existência, pois que essas coisas para Olívia não passavam de frescura.

Agora adulta e responsável por seus atos, diga-se de passagem, ela sentia que sua vida deveria mudar e que deveria mudar muito. Numa tarde, na livraria onde trabalhava conheceu um homem de meia idade e sua filha. A garota procurava por um livro específico que não encontrava há tempos, mas que por sorte se encontrava naquele estabelecimento. Conversa fiada vai, conversa fiada vem, o homem resolveu comentar que estava passando por um recente divórcio e que o livro que ambos estavam comprando era um presente de comemoração.  

-Você sabe, eu e minha mulher falávamos de divórcio por um bom tempo agora, mas nunca nenhum de nós tomávamos a iniciativa. Foi que minha filha, contando-me sobre como tinha sido forte ao terminar com seu namorado que prometia à ela todo o mês o mesmo livro, como sua mãe também fazia, que tive está luz. Terminarei este relacionamento miserável de mentiras e traições e farei em minha vida uma grande mudança.

Ela ouviu o homem contar mais algumas histórias e a filha corroborar todas com um pequeno brilho nos olhos e então começou a pensar ela mesma.

"Quando irei eu fazer algo por mim, para mudar minha vida e deixar de ser tão submissa?"

Resolveu então que mesmo depois das onze horas de trabalho, iria à um bar, conhecer pessoas novas e respirar novos ares.

Para qualquer um isto seria algo cotidiano e nada inovador, mas para Lady Olívia, com seus 28 anos de submissão e medo, aquele seria um grande passo. 

Como sinal de que estava correta em sua decisão e acreditando que aquilo era Deus se comunicando com ela, Oli encontrou no caixa onde trabalhava naquele dia um livro não-religioso de auto-ajuda não-oficial, que dizia todas essas coisas sobre tomar controle de sua vida e fazer em si a grande mudança. Leu o livro de 163 páginas avidamente até o fim e quando notou-se o horário já era o de saída.

Toda determinada, Lady Olívia com seus 28 anos de submissão e com suas novas ideias sobre como tomar um novo rumo na vida, caminhou até o ponto de ônibus de todos os dias e esperou o ônibus rotineiro, que não demoraria muito a chegar. Viu então, caminhando em sua direção, um homem jovem vestido todo em preto, caminhando de maneira engraçada.

"Um tanto quanto suspeito" - pensou ela - "Será ele um assaltante?"

Cada vez mais próximo o rapaz ajeitára o gorro da blusa de maneira a esconder melhor seu rosto e logo em seguida afundou as mãos nos bolsos do moletom.

"Eu ficarei sem celular e sem meu salário completo se ele me assaltar!" - pensou ela agora apavorada.

O ônibus chegou e ela entrou com a melhor agilidade que existia em sua capacidade.

"Ufa, estou salva."

Dentro no ônibus, respirando mais calma, Olivia percebeu-se segura.

No ponto onde deveria descer para ir ao barzinho, a mulher reparou em seu celular uma mensagem.

"Olá, Lady Olívia. Estamos lhe enviando esta mensagem para te notificar sobre um ajuste na taxa dos serviços de telefonia contratados pela Sra. Informamos que agora, suas contas telefônicas ficarão um real mais caras. Qualquer dúvida entre em..."

Era aquilo.

A mudança que sua vida deveria ter.

Encostou a cabeça no vidro do ônibus que agora não tremia tanto, pois já estava em movimento e pôs-se a cochilar em devaneios sobre bolinhos em xícaras.

Ela tivera por uma noite muitas aventuras e mudanças, de certa forma Deus estava certo com seus sinais.

Chegando em casa alimentou seus gatos, tomou um banho quente e depois de se empanturrar com um jantar simples acompanhado de um vinho barato, deitou-se na estreita e dura cama para uma pequena noite de sono.

⌠ 25 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Isadora Lins
Radiohead - No Surprises
Escrito por Isadora Lins
⌠ 53 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Dani Ribeiro
Maryazinha
Escrito por Dani Ribeiro

Ordinária, mas não bonitinha. Mary era, para muitos, considerada vulgar, não dispensava seu salto alto e calça extremamente colada para realçar a bunda gorda. As unhas tingidas de vermelho, porém descascadas, revelavam um decadência nem um pouco elegante. O amarelo-gema de seus cabelos entrava em total desarmonia com o negro de sua raiz. Seu estereótipo se resumia em algumas palavras: uma morena torrada de sol, dos cabelos gemados e salto alto, com um diferencial, era estudante universitária.

Típica dessas garotinhas que não tinham merda nenhuma ou merda alguma na cabeça, mas que faziam toda a diferença por serem universitárias. O suficiente para os machos de plantão vangloriarem-se da inteligência delas, ou melhor dizendo, da ignorância mais sofisticada e disfarçada que a dos imbecis. Um deles casou-se com ela. O camarada de bom emprego, salário bom, boa reputação, que bancava os seus estudos e mordomias, porém, cheio de pagode e futebol na cabeça, nada mais além disso. A mulher deitava-se no sofá a ler trechos de poemas e livros para seu marido, que gozava de tesão; “Mas como minha Maryazinha é culta!”. E depois davam uma bela de uma trepada, daquelas que faz qualquer homem pensar que tem uma deusa em suas mãos.

Na faculdade, o sucesso não era assim tão notório, pois havia outras concorrentes que também eram universitárias, só que mais gostosinhas e bonitinhas. Mas Maryazinha, bem esperta, não gostava de perder. Arranjou o orientador mais gostoso do seu curso para fazer sua monografia, e todos os dias vestia decote e calça colada, com a sua bolsa de oncinha. Na sala do professor bonitão, ela trazia textos e mais textos e lia-os em voz sexy para ele. O professor fingia estar extremamente interessado com o seu resumo totalmente plagiado de outros artigos e elogiava-a: "Muito bem menina, você conseguiu captar toda a ideia do texto!" E na despedida, apertava indiscretamente sua bunda. “Te espero amanhã aqui na minha sala novamente pra terminarmos nossa conversa.” E no dia seguinte, ela voltava e continuava a sua lição.

As amigas começaram a sentir inveja de Maryazinha. E ela, para intensificar ainda mais a ira de suas concorrentes, dizia: "Sabe, o professor me disse que eu sou diferente das outras alunas, muito inteligente, bem intelectual, saca? "

E voltava para casa rebolando com a bunda empinada e o peito estufado de tanto encolher a barriga. Ao encontrar-se com o seu marido, ficava toda assanhada pensando no professor. No ato, ela transbordava de tanto tesão e tinha orgasmos múltiplos, e o marido enchia o peito de tanto orgulho de sua amada Maryazinha.

 

 

Dani R. F.