⌠ 22 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Karina Harley
Woodkid - Iron
Escrito por Harley
⌠ 4 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Amanda
VOCÊ TÁ SUMIDA!
Escrito por Amanda


Segura o choro, segura
Segura o vômito, segura
Segura esse assédio nosso
de cada dia.

Segura essa dor, segura
essa ferida aberta ensanguentada
sem pontos, com analgésico
Segura que logo passa

A injúria da carne está bem medicada
Mas e a ebulição do ser
A angústia, dói quando toca?
Se mata, mas não faz sujeira.
Sujeira choca.

Segura, que esse choro vem
Que nem vômito
De uma só vez
Que transborda.

 

⌠ 31 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Ederson Oliveira
Só sei que foi
Escrito por Ederson Oliveira

Eu não sei o que foi.
 
Não sei se foi o jeito de rir sem se conter, do jeito mais sincero e feliz que eu já vi.
Não sei se foi por causa das flores, sejam elas de verdade ou estampadas, grande ou miúdas.
Não sei se foi, quem sabe, a simpatia que faz todo mundo reparar.
Não sei se foi a luz indireta e pouca da sala de cinema.
Não sei, também, se foi a luz intensa e solar da praia.
Não sei se foi o espelho nos olhos, refletindo o mundo
Não sei se foi o sol no cabelo ou o gliter no rosto.
Não sei se foi o amor no peito ou o brilho do olho.
 
 
Dizem que nunca é uma coisa só, e sim uma mistura de detalhes e idiossincrasias.
Ou amor mesmo, da jeito mais simples possível.
Só sei que foi.
 
alt
 
⌠ 35 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Manoelle
Pureza Daninha
Escrito por Manoelle D'França


Ó, rainha, erva-doce, erva minha.
Venenosa estrela-de-anis, dos lábios de botão de rosa e olhos negros como cassis.

Ó, mulher, feiticeira; ó, menina.
De alma impenetrável como um espelho, 
Refletes minha imagem de volta sem revelar-me teu interior;
Bem como o imaginário mel dos teus lábios deixa-me em dissabor, 
Por não saber seu gosto,
Por ainda não ter descoberto o grau de ebriedade que me traz este amor pressuposto.

Branca rosa, recendendo a sedução.
Quero provar da tua doçura, quero sentir o toque da tua mão.
Quero tocá-la suavemente, como se toca as cordas de uma harpa, 
Quero bebê-la numa taça de cristal.
Para remover do meu coração esta farpa,
Só mesmo tua inocência cedendo a este amor irracional.

Quero descobrir tuas belas curvas, moldando-as como barro.
Quero ter-te acolhida, sob o meu afago.
Quero mostrar-te o céu, e remover de minha boca o fel da desilusão.
Quero provar-te, quero amar-te.
Quero dar-te meu coração, moído em reluzentes grãos de paixão.
Quero dar-te de um homem apaixonado, a devoção.

Dê-me a oportunidade de fugir dos meus sonhos e viver a tua realidade
Deixe-me mostrar-te o que é o amor de verdade.
⌠ 40 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Samira
Insônia, semi-crônica e traseiro chutado.
Escrito por Samira Assis


Olha que ironia da vida. Logo eu que ia impaciente consolar a moça de coração partido levando lhe copo d'agua com dose de deboche, dizendo: "Levanta mulher! A vida é mais que isso!". Indiferente ao pé na bunda, porque não era meu traseiro que, passando dias, continuava a latejar.
E faz dois dias que ele não liga e eu vá desabar em choro. Lá fora chove canivete. Na TV os casais que não apareciam tanto, começam a saltar na tela. E eu que não abracei antes com o mesmo gosto que abraçaria agora, dá uma sensação mesmo de coração quebrado.
Falta uma pessoa sensata que me dê um tapa e diga: "a vida é mais que isso menina". Até porque tenho uma pilha de calcinha pra lavar. E não combina lavar calcinha e enxugar lágrima e ranho. E outra que depois tudo passa... Mas parando pra pensar, é altamente ridículo e triste se auto aconselhar depois de uma desilusão amorosa (ou seria ilusão amorosa?). Faltou uma sacada e uma garrafa de conhaque pra completar a cena.
É que dói. E não importa o que você pense. Dor é dor. E eu deveria ter sido mais compreensiva com as pessoas antes. E hoje, chorando e deitada no sofá vendo as luzes dos prédios se apagando, me perguntei o que eu teria feito de errado e, na verdade, eu até soube a resposta. Mas não é assim. As coisas acabam quando acabam.
O pior é que ninguém disse que acabou. Só fiz merda e coincidentemente ele não ligou. Aí surtei como pré-adolescente. Sei que não vou morrer, e amanhã vai ser outro dia e que depois vem o outro e a gente sorri de novo. Sei muito bem disso. Só que dói pra cacete...

(Samira Assis) 
 

⌠ 37 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Amanda
Lis
Escrito por Amanda


Apesar de todos os personagens que criou para si, do fake na internet, do pseudônimo, do codinome, do anonimato, do tiro e do tapa, a mesma e sempre Lis é quem dá a última palavra no jogo sujo que sua mente faz. A assustada Lis não consegue ser como o corajoso Manoel, espontânea como a autêntica Vera. É Lis demais para ser Tereza. Mas que tristeza que é ser Lis. É um poço sem fundo, escuro e frio. É criança medrosa e invejosa sem pai pra mimar. Mas queria ser tantas e tantos tão mais felizes que já pode gastar horas planejando como ia ser: quando chegasse no palco, arrancaria lágrimas de riso e gozo e também de saudade. Só que tem o mal do assombro, de ser assim como um monstro de cabeça enorme. Queria ser Danda que dorme cedo e acorda boa, mas é Lis que uiva para a Lua e descontrola sempre. A madrugada é um grito de socorro. SOCORRO! - Alguém me ensine a ser humana, estou em pedaços inalienáveis. Estou sem esperança, mas não quero morrer, me soltem dos laços que poderei me salvar ainda.

⌠ 68 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Dani Ribeiro
Mesmice
Escrito por Dani Ribeiro
 
Cabelos ondulados levemente tingidos
Versava alguma poesia que não ousasse dizer
 
O “nó da garganta” deslizando em seus dedos
À espera do dito que a ela foi negado
 
O passo e a sandália abotinada nos pés
As unhas refeitas para serem esquecidas
 
E ficou entre um átimo e a semi-insanidade
Criando o seu tempo de trás para frente
 
A noite presente na ausência de corpo
O vício sustentado pela cobiça de fuga
 
Os trajes despidos, a carne branca e nua
O desejo contido em toques de mão fria
 
E ficou entre um átimo e a semi-insanidade
manipulando o seu tempo de trás para frente
 
 
Dani R.F.