⌠ 20 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Viviane Peter Casser
Apetite
Escrito por Vivi


espera
Ele Diz
Eu Ardo
Queimo
Sou, Cinzas
Destroços
Eu Volto
Busco-Te
Sorvo-Te
Inteira
Ele, não Vem
Eu, Volúpia, Completa
Inteira

⌠ 32 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Eron K. Nascimento
Perguntas de um trabalhador que lê
Escrito por Eron Nascimento

Por Bertold Brecht
 
Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruída
Quem a reconstruiu tanta vezes?
Em que casas Da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que
a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma esta cheia de arcos do triunfo
Quem os ergueu?
Sobre quem triunfaram os Cesares?
A decantada Bizancio
Tinha somente palácios para os seus habitantes?
Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu alem dele?

Cada pagina uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?

Tantas histórias.
Tantas questões.
 
⌠ 29 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Samira
Ah, o amor ou o desamor?
Escrito por Sam


O amor é triste
E na tristeza se conhece
A real alma que o habita
O amor é aceno de longe
Arde em vermelho dentro dos olhos
Quer gritar mas não grita
O amor não ergue placas
Nem balões coloridos
Amor não se disfarça em adornos
Não se esconde em arranjos de flores

Suspeito que o amor odeia ser amor
Porque amar também é dor
O amor tão timido e quieto
Rasga todas as paredes
Essas intactas da alma

O amor é medroso, covarde, frouxo
Não esconde o medo de saber que é amor

Esse não se desdobra em fogos de artificios
Fica quieto, latejando no corredor
Acha que olhos são ilegíveis
Pensa que seu amor é analfabeto

Falar de amor é tão fácil
E falar de amor no século XXI
Esse amor tão bordado...


(Samira Assis) 
 

⌠ 56 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Manoelle
Partindo com a Lua
Escrito por Manoelle D'França

http://fc04.deviantart.net/fs21/f/2007/300/e/d/eda432291c386e3a.jpg

Admirei a Lua antes de partir.
Conversei com ela
e confessei ter acordado pensando em coisas sem sentido,
Do tempo em que, à noitinha, eu sussurrava em seu ouvido.
Senti saudades do que não tive, daquele amor não correspondido;
Dos sonhos que, jogados pela janela,
Foram parar em outros travesseiros;
Daqueles teus carinhos, tão cínicos e traiçoeiros.

Desci, então, as escadas do velho terraço
e fui em direção ao quarto pouco iluminado;
Despedi-me do facho de luz que me escapava pela cortina.
Deslizei os dedos pelos livros empoeirados
e despedi-me docemente do antigo espelho quebrado,
Que todo o tempo lembrava-me de meus fracassos;
Mostrando-os a mim todos os dias de minha vida,
Não permitindo-me que se sarasse sequer uma ferida.

E então, parti.
Mas deixei um rastro antes de ir.
Rastro feito com o sangue da ferida exposta em meu coração,
Ferida feita pelas punhaladas da solidão.
Em meu sangue, sujei a velha caneta-tinteiro
e deixei uma mensagem ao próximo marinheiro:

'E daqui partiu com a Lua um espírito solitário,
Que não mais cursa o mesmo caminho.
Alguém que após o abandono,
Sentiu o frio da solidão congelar o sangue
outrora corrente em suas veias.
De um coração moribundo largado às tantas de uma madrugada.
De um ser andarilho viajando de volta ao pó da criação humana.
De uma única centelha apagada há tempos.'


                                                          de Manoelle D'França


⌠ 57 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Fábio C.
Hamlet de Shakespeare e o Mundo como Palco - Leandro Karnal
Escrito por Fábio C.

“Hamlet é o anti-facebook”

O personagem de Shakespeare, diz o historiador Leandro Karnal, não só não é feliz como não faz questão de parecer feliz. “Hamlet é melancólico, tem uma consciência brutal e, quem tem consciência brutal, não sorri nem compartilha sua vida medíocre o tempo todo”.

⌠ 61 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Marisa Oliveira
Das Escolhas
Escrito por marisa in the sky

alt

As Duas Fridas - Frida Kahlo

 

É como um rapaz de alma boa, do tipo que empresta neblina, me disse esses dias: "para vocês, eu sempre vou estar bem". Mas pude ver em seus olhos algumas cervejas e mágoas. Mas estavam misturadas com sorriso e chuva.

Compreendi porque sempre fiz o mesmo, pois confiança não se encontra em qualquer esquina, não é pra qualquer pessoa que se empresta neblina, isso faz parte de uma escolha. Além disso, sempre acreditei que evoluímos ao falar mais coisas boas do que ruins, ao escutar mais os problemas alheios do que falar dos nossos e ao aprender a resolver as próprias dificuldades. É claro que em algum momento, se precisa de alguém. Mas na maioria das vezes, os elementos curativos estão dentro de nós mesmos. Então, sim! tudo bem.

 Alguns podem achar que é hipocrisia, outros chamam de egoísmo, outros ainda dirão que são máscaras, mas não. Esse rapaz de alma boa, ele não usa máscara nenhuma. Conheci ele há certo tempo, já tocamos algumas músicas juntos, nos encontramos ocasionalmente em festas e idas ao parque ecológico, mas só fomos devidamente apresentados no começo do ano. Mas, pra mim, sempre o conheci, mesmo não sabendo seu nome até então. Porque a gente enxerga claramente o que ele é, porque ele é, e não tenta ser. O que ele busca, faz parte de uma construção, da qual ele já tem os alicerces e estruturas.

 Nada mais lamentável do que alguém que pergunta trivialmente a uma pessoa como ela está, e esta conta. Gente que gosta de contar quantos tipos de remédio toma por dia. Gente que acha a mãe injusta. Gente que acha que dá demais e recebe de menos. Gente que tem medo de olhar para fora, prefere o próprio umbigo. Tudo gente que não entende que pelo menos houve remédios para amenizar, que houve mãe para gerar, que se pôde dar sem fazer falta, que os olhos combinados com discernimento são o que respondem a maioria do que perguntamos dentro de nós.

Mais lamentável ainda é gente que conhecemos há tempos, mas que, por um motivo ou por outro, não conhece a gente direito. E acreditam ter o direito de saber de nós. E de palpitar. E de estar por dentro. E de dar conselhos não pedidos, que sempre são mais óbvios do que horóscopos ou livros de autoajuda.

Então, sim, tudo bem, pois o que não está, há de ficar. Porque quem realmente sabe do que acontece, pergunta sim, mas compreende independente da resposta ser exata ou não. O que difere é que este compreende com os olhos, com energia, com coração. Este é do tipo que empresta a neblina, presenteia com pôr-do-sol, compartilha histórias e estórias especiais. E, de quebra, deixa tudo bem com abraço e música. Não dá conselho, dá abraço, beijo, e coloca a alma perto, de tal maneira que sentimos que está do nosso lado. 

Então, sim, tudo bem. Porque quando não era, a cura sempre veio, por meio de abraços de almas compatíveis.

⌠ 35 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Ramon Bernardo
Musicalizar-se
Escrito por Ramon Bernardo

Esquece-te um pouco as dores,
Arrisca os acordes de DÓ!
Se te é preciso, voltar em macha-ré
Não esquece-te de MÍ
 
Há sempre um FÁ, um fazer que me agrada.
E se te falta luz,
Se inspira no SOL
Que nada cobras, mas ilumina a todos.
 
Encontra no LÁ o teu lar,
E repousas SÍ estiver muito cansado da vida.
 
Enbarque no Buarque,
Usa e abusa, de Cazuza.
Mas não te esqueces, que música
Ah, musica é um sofisticado respirar.