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Fábio C.
32 anos de mudanças na Terra: imagens de satélite 1984-2016
Escrito por Fábio C.

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Samira
Soneto de prata e segredo
Escrito por Samira Assis



A prata reluzia em seu dedo
Qualquer que fosse a do menino
Amortecia seu lábio fino
Que desvendasse meu segredo

E se ficássemos a sós
Eu esqueceria a cor da prata
Como um nó que desata
Se não formasse outros nós

Mas o juízo nos limitou
A apenas um olhar sereno
Que um dia brevemente nos fitou

Ele se levantou e deu um beijo
No meu rosto aquecido
Que se desfez em um solfejo

(Samira Assis)
 

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Fábio C.
Queermuseu e os dedos nas feridas
Escrito por Fábio C.

Queermuseu

 

A meu ver, qualquer exposição tem por função expor. Se a nossa sociedade é bizarra, por que a exposição não seria? Acobertar situações faz com que elas deixem de existir ou percam força? Não é uma exposição para crianças, pois elas não têm a capacidade de processar as críticas retratadas (assim como muitos adultos também não). Existem muitas coisas do mesmo nível em livros e filmes, então, por que não eclodiram como essa exposição de arte? Simplesmente pelo fato de nem sempre virem "mastigadas", pois pensar dói e é muito mais prático a crítica seguindo a "ondinha".

O que realmente importou (inquietou) nas redes:

1. A imagem do Cristo: 

Todos concordam que é uma representação, certo? Uma simbologia que representa algo pra mim, pra você e para o mundo. O "xis" da questão é a seguinte: o que fizeram e andam fazendo com essa representação em nossa sociedade? Quem ela anda representando? Quantos construíram impérios em cima dessa representação? Quantos mataram, quantos desgovernaram tendo como escudo esse símbolo religioso? O que o artista fez não é nem 0,0001% do que já fizeram e continuam fazendo por aí e ninguém critica porque não enxerga e não questiona. 


2. A zoofilia:

Certa vez, em TV aberta, ouvi um artista relatando sobre iniciações sexuais e brincadeiras com as cabritas da fazenda dele na infância. Todo mundo achou graça. Um outro citou inclusive as galinhas. Ninguém levantou a mão pra dizer que era desumano. Em sites adultos, muitos buscam e muitos produzem esse tipo de conteúdo. Em grupos de whatsapp, muitos compartilham. O "xis" da questão é o seguinte: é uma realidade? Existe em nossa sociedade? Sim, existe, e a obra não "induz à", apenas expõe, e expõe com uma outra representação, mas a interpretação das redes se limitou à "imagem crua". 

 
3. A pedofilia:

É uma questão que precisa vir à tona sempre, só assim será discutida e combatida. É uma prática milenar alimentada por acobertamentos. Não tocar no assunto de nada ajuda. O "xis" da questão é: o alimento da pedofilia é o acobertamento. Ela se mantém viva enquanto escondida. O artista da exposição não induz à pedofilia, ele expõe uma situação de realidade que persiste em existir. Segundo o curador, a obra exposta tem uma outra interpretação que a ondinha das redes desconhece: diz sobre o impacto da colonização no Brasil e a devastação que isso causou.

 
4. O homossexualismo

Foi bem interessante as opiniões acerca do assunto nas redes. Chega-se a conclusão que ainda é um dos principais tabus sociais: não é visto como um direito ou uma opção do ser de "ser". O "xis" da questão é que o homossexualismo foi colocado em meio à situações que envolvem religião, pedofilia e zoofilia propositadamente pelo curador. Observem que as opiniões explanadas pela sociedade em rede colocaram todos os tabus num só pacote, sendo que homossexualidade não deveria ser encarada como uma questão social, mas uma questão estrita do ser. 

 
5. O moleque "viado":

Viado é a palavra mais utilizada em estádios de futebol e escolas que vão do ensino fundamental ao médio. Porque o estranhamento da palavra utilizada em uma obra da exposição? O que o artista fez de diferente? O "xis" da questão é a representação da palavra dentro de questões (ainda sociais) de repressões e preconceitos.
 

6. As hóstias com palavras de conotação sexual:

Aí o ser humano apronta todas, fala da vida alheira, faz o consumo de muitos dos atos representados em palavras que o artista escreveu e, ao comer a hóstia, se sente "o renovado (a)" com garantias de manutenção do plano de financiamento do terreno no céu. Pois é, o "xis" da questão é a hipocrisia humana. Comer uma hóstia não lhe torna melhor ou mais santo que ninguém, só comer a hóstia não basta.

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Essas foram as obras que se destacaram nas redes (apenas um recorte da exposição). É bom pesquisar sobre outras exposições e espetáculos também polêmicos (assim como filmes e livros), que são arquitetados para causar certas inquietações sociais e mexer em feridas abertas que, escondidas por "curativos", nunca saram. Devemos questionar sempre, só assim podemos trazer reflexões sobre coisas ou situações que, muitas das vezes, foram plantadas com o intuito de moldar padrões expostos que acobertam situações desinteressantes que necessitam vir à tona.

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Ederson Oliveira
nota sobre fotografar a natureza
Escrito por Ederson Oliveira

Quanto mais a civilização se desenvolve, menos nós nos sentimos pertencentes ao planeta em que habitamos. A distância entre o mundo natural e a humanidade cresce na mesma proporção em que as telas pelas quais vemos a vida aumentam. Conexão nos remete muito mais a redes de compartilhamento de internet do que ao pertencimento ao ciclo em que todos os seres vivos estão ligados. Curiosamente, o próprio desenvolvimento tecnológico me deu os maiores instrumentos de reconexão que eu já conheci: um sensor, um corpo e um conjunto de lentes.

 

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Anuro fotografado na Reserva Ecológica de Guapiaçu, Cachoeiras de Macacu (RJ). Por Ederson Oliveira.

 

Fotografar a natureza é um exercício de dupla sensibilização. Eu me sinto imerso quando estou no meio da floresta, fazendo imagens, sendo só mais um animal isento da prepotência humana. Meus conceitos morais e valores construídos no convívio social não representam nada para a vida que me circunda ali. Ao mesmo tempo, tudo que é registrado serve para levar pílulas dessa sensação ao resto das pessoas. Cada registro é uma oportunidade de levar o meio da floresta pra quem não está lá.

 

 

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Vista do amanhecer no Pico do Papagaio, Ilha Grande (RJ). Por Ederson Oliveira.

 

Uma foto pode lembrar a quem já esqueceu que existe um mundo onde a cor não é cinza, onde o julgamento não existe e onde o tempo não está com pressa. A imagem é, potencialmente, instrumento de sensibilização e convite para reconexão. Aquele velho clichê (e eu acredito no poder dos clichês) já dizia: a gente só protege o que conhece.

 

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Fungo fotografado na Reserva Biológica União, Casimiro de Abreu (RJ). Por Ederson Oliveira.

 

 

Vamos fotografar?

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Manoelle
Colorida Desordem
Escrito por Manoelle D'França






     O amarelo era o elo singelo entre a cor e a coragem. Porém, avidamente a vida mente sobre a sequência das consequências.

    Do amarelo, amar e elo, surgem a cor, a coragem e o singelo. Do amarelo-coragem, procedem amar, elo e cor, que unidos agem.

    A simples desordem da ordem que desmonta as dez montanhas do pensamento, em certo momento.

    Do rubor da rubra dor, o que vem primeiro? O primo ou o herdeiro? Do tintureiro, a tintura ou o tinteiro?

    Desta desordem, seguem-se mais que dez ordens.


 

de Manoelle D'França
(Mais em http://maphago.blogspot.com)

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Afonso Sauniére
Tanto a declarar
Escrito por Afonso Sauniére

Quem me dera que os anúncios de liquidação
fossem astros luminosos à vista
e a prazo fosse o tempo que me resta pra dizer
tudo que se entope na garganta.
Tudo que é preciso e, precisamente, não digo
esperando o segundo ato com medo do epílogo.
Já vi que há certas orações que, se não ditas,
o miocárdio sangra até morrer.
Conclusivamente, me declaro
sem tanto a declarar.
É que tem gente que me desassossega
com a fala tanta e leve,
com o gosto bom do mundo.
O gosto que Drummond sentiu.
O gosto que matou Romeu.
Que tanto roga em mim
o doce que o amargo faz
quando eu olho fundo.
Essa gente que deixa um som desafinado,
que inventa as cores de um abril chuvoso
e tudo ouve e tudo vê.
E eu vou contra a poesia
sem hipérbole nem clichê.
Nem vou me anunciar perdido
como se não vivesse sem ela.
Mas o sol ainda nasce naquela brecha
e ainda cabe entre nós dois.
Ainda tem aquele beija-flor no quintal
que tanto enfeitava a tarde.
Ainda tem o vento soprando forte
e eu ainda subo pra ver da janela.
Mesmo assim, eu não disse nada.
É que já são 3 da madrugada
e eu ainda fico pensando nela.

 

Fábio C.
Envio de Vídeos e Imagens
Escrito por Fábio Carvalho

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