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Patrícia Weber
Versos porque te quero bem
Escrito por Patrícia Weber

O que me atrai em ti, menina?
És tão mimada
Que quer que o mundo faça teus gostos.
Persuade-me com esse teu sorriso doce,
E me ganha com esse jeito forte.
És rebelde quando não consegue o que quer.
Se fosse  criança, até bateria o pé.

O que é que me atrai em ti, menina?
Tens um jeito todo infantil de encarar a vida
Olhas para teu belo mundo
E ainda assim reclama do que tens
Mal sabes tu, do mal que lá fora vem.

Mas o que é que me atrai em ti, menina?
Te vejo dançar, quase a saltitar
Suave teus passos
Doce teu beijo
Quente é teu abraço.

Pois então, lhe digo, menina
O que me atrai em ti
Não são teus defeitos
E nem mesmo tuas qualidades

O que me atrai em ti
É você, menina. 
 

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Cláudia Banegas
Vendaval
Escrito por Cláudia Banegas


Vento vem, vento vai,
trazendo sopro vaidoso.
Vem bravio, não suave,
vem com intento duvidoso.

Não refresca, nem acaricia.
Atravessa correndo a cidade.
Não traz frescor ao dia.
Apressado, traz é tempestade.

Enverga os galhos das árvores,
deita folhas secas ao chão.
Varre quintais, lustra mármores,
desperta em mim inquietação.

Vento vem, vento vai,
soprando frio, vem vendaval.
Sopra forte, vaidoso,
afronta-me de forma brutal.

Vento vem, vento vai,
vaidoso e cheio de si.
Sopra frio, tão impiedoso!
Só quer destruir e destruir...

Venha forte, sopre como quiser!
Arranque árvores como passatempo.
Saibas só de uma coisa: sou borboleta guerrilheira.
Destruir-me é impossível, em vão perdes teu tempo.

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Fernando Fantin Vono
A fome e seu contrário: uma crônica de embrulhar o estômago
Escrito por Fer

“Em verdade, em verdade vos digo, há certas maneiras de ser feliz que são simplesmente odiosas.”

José Saramago

Em algumas cidades razoavelmente grandes que, para tanto, são repletas de empresas e negócios, Não, esse texto não fala de economia, é comum que se possua uma elite local, afinal, se a maioria da população da cidade trabalha na produção e na venda para Fantin gerar tanto dinheiro, são necessárias pessoas para gozar desse lucro, pois seria uma verdadeira anarquia comunista destinar o resultado da produção a quem de fato produz. Não, as coisas não são assim, essa elite é extremamente necessária à ordem e coesão social, e é imprescindível que, para cumprir sua função social, ridicularize as classes pobres que trabalham para elas. Com essa elite configurada em tal cidade, é necessário instalarem-se locais destinados a elas para que possam utilizar a grande quantidade de dinheiro que possuem, assim, é comum nessas cidades, existirem shoppings centeres, boates, restaurantes finos, Mc donald´s, Habib´s, concessionárias e, então, esses (não)lugares passam a, também, povoar a cidade e, sobretudo, o imaginário das pessoas.

Certa feita, estava passando pela avenida das Nações Unidas em meu trajeto. É uma das principais avenidas de Bauru, no interior de São Paulo. Nessa avenida se localizam, além de uma bela praça, esses (não)lugares destinados à elite da cidade. Era à tarde e o sol, embora forte, estava agradável. Atravessei uma das vias, prestando necessária atenção ao movimento de carros e, percorrendo caminho, me aproximava dos prédios alimentícios, que ficavam em uma ruela paralela à avenida, separada da mesma por apenas um canteiro. Quando em frente do Habib´s, presenciei um episódio que me marcou, e sabemos quando algo marca pela frequência com que a lembrança nos retorna à mente. Uma mulher jovem, de não mais que quarenta anos de idade, estaciona o carro da família ao lado esquerdo da rua, era um carro novo, provavelmente caro, e abre a porta traseira para que os filhos desçam, cuidando em atentar-se ao movimento da rua para que as crianças não sejam atropeladas. Todos fora do carro, a mãe aciona o alarme e a família atravessa a rua rumo à lanchonete que afirmam árabe. Porém, nesse pequeno trajeto, a bela cena familiar é interrompida por um moleque de rua, da mesma idade que as crianças, porém um tanto mais magro e com a pele mais escura. Ô tia, me paga um salgado que eu to com fome. Nesse momento, voltava minha atenção totalmente para a cena, pois a fome sempre foi algo que me intrigou, ainda mais se tratando de uma fome tão pequena, não que fome possa ser pequena, mas pequeno era o faminto. Fiquei esperando a fala da mulher, e ela respondeu, sem tirar os óculos escuros e sem olhar para o moleque, algo que não pude entender pela distância a que estava, mas que não era preciso ser intérprete labial para compreender. O moleque abaixou a cabeça e se virou de costas, a mulher seguiu seu caminho sem alterar a expressão séria, porém apressando o passo e os filhos (menino e menina), um copiou em exatidão a atitude da mãe, o outro demorou-se alguns instantes olhando o moleque, mas depois seguia a mãe. E família continuou com sua tarde feliz, e pediu ao garçom sei lá que Bib esfirra, Bib burguer, Bib salada e empanturrou-se. Disso não falo com propriedade, que lá não estava. O moleque, cá fora, engoliu mais uma porção do seu já tão pequeno orgulho, para enganar seu estômago, e foi novamente pedir que alguém o ajudasse, que estava com fome, somente isso. Lá dentro, a família continuava comendo.

De novo, repito, Não, esse texto não fala de economia.

 

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Fábio C.
Intolerância
Escrito por Fábio C.



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Cláudia Banegas
Enigma Feminino
Escrito por Cláudia Banegas


Sou pura essência feminina

e do meu jeito sou mais menina.
A alma clara abriga sonhos complexos,
outras vezes simplórios.

Carrego conflitos efêmeros,
minhas eternas interrogações.
Não há resposta para tudo, enfim.

Questiono o destino, perco rastros,
confundo trilhas, desatino.
Roubam-me o sono pensamentos bizantinos.

Sou tronco serrado ao meio, indecifrável.
Meu passado gravado em camadas
mascara dores, sorrisos tolos e gargalhadas.

Sou canção silenciosa, mas audível ao coração.
Sou poeta encantada, musicalidade ensaiada.
Tenho em mim sangue de escriba,
me inspiro à noite, nas madrugadas.

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Thaís Bicas
Você, oceano
Escrito por Thaís Bicas


Queria que você soubesse sem eu precisar dizer uma palavra sequer. E que, depois de tomar ciência, não me devolvesse à terra.

Parece que as pessoas se ofendem com o amor que tenho por elas. É bem verdade que sinto e demonstro de formas diferentes porém loucas e verídicas. Travo, coro, suo frio, falo mais do que o necessário e menos do que deveria. E, em todas as vezes, sem exceção, me odeio por saber que não, não preciso me sentir desconfortável quando com elas. Eu preciso ser eu mesma - e arcar com isso - e, principalmente, deixar que elas saibam que xingar, dizer que odeio, que não quero mais, que é demais pra mim, que minha vontade de matar e/ou morrer é meu jeito de expressar meu desespero por amar e desejar demais.

Nem se eu passasse um dia inteiro cantando todas as canções de amor e lendo poemas sobre o mesmo faria você perceber quão grande e bonita é essa sina que carrego do lado esquerdo do peito - tudo bem, talvez não seja tão bonita; de fato, há um lado obscuro que os seres humanos costumam justificar com o argumento de que, quando apaixonados, ficamos burros, vulneráveis, cegos e, por vezes, sem escrúpulos. Amo-te de forma arrebatadora; vez ou outra me pego tendo que fazer mais força do que o normal pra puxar o ar pros pulmões por conta da fobia que me dá quando me inundo de você, de pensar em você, de sentir teu maldito perfume por onde quer que eu vá, de saudade do teu beijo que me tira de mim e me faz adorar isso. De lembrar do calor do teu corpo e do quão protegida e calma me sinto quando dentro do teu abraço. De te desejar do jeito mais cru e nu. De me despedaçar ao ser lembrada pela realidade que nada és além de um oceano que me encanta com tamanha beleza e esconde uma vasta quantidade de buracos e piranhas - e eu não sei nadar. Entretanto, não saio dele.

Luto bravamente para não me afogar. Boio, tento desviar das armadilhas e aniquilar as piranhas. Continuo viva, apesar de fracassar e fraquejar um pouquinho mais a cada dia.

Queria ser salva. Que me arrancassem à força desse mar e me impedissem de retornar. Porque amar assim é burrice. Porque amar demais o outro, mesmo sem reciprocidade, soa como falta de amor próprio. Porque, nesse mar, eu sou só mais uma - logo, irrelevante. Ainda assim, só me vejo desvencilhada disso obrigada. Porque o pouco que tenho - muito pouco, pra ser sincera - parece menos pior do que o nada. Porque essa merda de amor faz a gente tirar esperança de um lugar inexistente. Porque você, meu mar, é onde meu coração me pede pra ficar.

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Cláudia Banegas
Insensatez
Escrito por Cláudia Banegas

 
"Sou oceano no deserto,
do orvalho a aridez,
a loucura do ato são.
Prazer! Meu nome é insensatez."