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Dani Ribeiro
Mesmice
Escrito por Dani Ribeiro
 
Cabelos ondulados levemente tingidos
Versava alguma poesia que não ousasse dizer
 
O “nó da garganta” deslizando em seus dedos
À espera do dito que a ela foi negado
 
O passo e a sandália abotinada nos pés
As unhas refeitas para serem esquecidas
 
E ficou entre um átimo e a semi-insanidade
Criando o seu tempo de trás para frente
 
A noite presente na ausência de corpo
O vício sustentado pela cobiça de fuga
 
Os trajes despidos, a carne branca e nua
O desejo contido em toques de mão fria
 
E ficou entre um átimo e a semi-insanidade
manipulando o seu tempo de trás para frente
 
 
Dani R.F.
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Juventude Clichê
De Bandeja
Escrito por Juventude Clichê

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Publicação original de The Wireless. Tradução de Catavento.
 
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Amanda
Caderno de Poesias
Escrito por Ariel

No meu caderninho de poesias
eu era triste pra valer.
Vinham passarinhos e mariposas
Resgatar meus versos.

Eu escondia
Mas alguém sempre achava
Meu caderno de poesia,
ora me doía
ora me salvava.

Ainda hoje quero escrever
Do que sinto e
Não posso conter.

Meu caderno de poesias,
descobri na gaveta
Junto dos pincéis, tintas
CD's e toda a tralha
que eu deveria consultar mais vezes
Quando estiver em apuros.

No meu caderninho de poesias

eu era triste pra valer.

Vinham passarinhos e mariposas

Resgatar meus versos.

 

Eu escondia

Mas alguém sempre achava

Meu caderno de poesia,

ora me doía

ora me salvava.

 

Ainda hoje quero escrever

Do que sinto e

Não posso conter.

 

Meu caderno de poesias,

descobri na gaveta

Junto dos pincéis, tintas

CDs e toda a tralha

que eu deveria consultar mais vezes

Quando estiver em apuros.

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Samira
Meninice
Escrito por Samira Assis


Menina, de tudo, da cereja em seus lábios, do pé cansado do salto alto, da meninice e do algodão. Ela amarrou seu laço do cadarço quando seu pé era descansado e sem calo. O cabelo pendia, mas com toda a leveza do mundo. Dos batons, ficaram os tocos na penteadeira, mas de qualquer idade, eternamente menina ficou. Deus deu a suavidade do seu ventre e seus dedos finos e delicados, que irão tocar os cabelos e as costas de seu filho. Lá daquele banco, uma menina sonha com o mundo inteiro, que não é nenhum mundo de dezenas de Louis Vitton separado por cores. A menina que honra sua meninice, sabe a virtude que pousou em si.  É a mesma a ter a honra ao olhar para sua mão enrugada e se recordar da juventude. Pois a menina, que um dia virou mulher, nunca deixou de ser menina.

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Ederson Oliveira
A vida é sobre não estar imune
Escrito por Ederson Oliveira
 
Ninguém está imune de, em uma quarta-feira nublada de dezembro, achar alguém que torne seus dias mais leves e cheios de borboletas (que a essa altura já saíram do estômago e estão voando por aí). Depois disso, a relatividade do tempo fica tão evidente quanto seu sorriso bobo lendo mensagens no meio da tarde. Horas, meu amigo, podem ser uma intragável eternidade e minutos podem durar um século inteiro. Ele, o tempo, só reflete a velocidade do que a gente está sentindo, ora congelado pálido e ora mais apressado que a luz. Uma vez eu li que as coisas mais legais acontecem quando a gente está distraído, sem procurar, sem grandes expectativas. E fazendo uma rápida retrospectiva é muito fácil perceber que o que a gente tem de mais valioso hoje vieram de encontros casuais, de lugares comuns, sem nada de premeditado ou esperado por semanas. A vida tem esse capricho, de dar quando a gente não espera receber. Então, não menospreze o poder das quartas-feiras nubladas de dezembro e muito menos da gentileza que o universo é capaz de prover...

Ninguém está imune, entretanto, de, em um sábado chuvoso de março, deixar ir alguém que já não estava de verdade há tempos. É a ampulheta do tempo virando, e a gente com ela. As tais borboletas já foram sobrevoar outros lugares e a chuva de fora não é nem um pouco comparável ao dilúvio de dentro. É como se aquilo que começou naquela tarde de dezembro não apenas tivesse apenas se iniciado naquele momento, mas tivesse começado a acabar a partir de lá. “A gente começa e já começa a terminar”, porque o universo tende ao caos e a gente não seria diferente.

Não duvide da imprevisibilidade dos dias despretensiosos, não ache que a gentilezas vão durar para sempre e, sobretudo, nunca pense que outras tantas ainda não virão. Porque a vida, amigo, é sobre não estar imune.

 

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Fábio C.
Gonzaguinha - Comportamento Geral
Escrito por Fábio C.


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Amanda
Dentro
Escrito por Ariel

Eu quero me lembrar da tarde e
suas viagens nesse dia lindo.
O gosto bom do beijo, que de
qualquer jeito, chegará em mim.
Na atmosfera do teu sorriso cabe
o meu viver, a minha casa, o meu prazer,
as minhas crises, tudo aquilo que,
enfim, não posso compreender.
Sei do lado mais discreto, mais profundo
há segredos pendurados em quadros
neste quarto.
E também sei que nessa porta não se bate,
entra em silêncio.
De quem contempla a vastidão do teu espírito e
agradece por poder entrar, conhecer
coisa que não se vê por ai.
Às três e meia, em meio aos pombos
bancos da praça.