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Júnior Dihl
Idas e Idas
Escrito por Júnior Dihl

Caberia ao florista da esquina, talvez, testemunhar o beijo, mas não, no olho mágico da porta está registrado o primeiro momento em que seus lábios se tocaram. Poderia ter sido naquele instante de bobeira em que se encontraram no intervalo da escola e ficaram sem ação, apenas um a admirar o outro em segredo, com trocas de gentilezas, elogios e brincadeiras.

Ou, até mesmo, no baile de formatura em que foram separados e uma única música os uniu. Talvez fosse “Love of my life” o que tocava naquele instante, ou, quem sabe, “More than words”, mas pouco importa agora, pois mais do que palavras faltaram para que se declarasse ao amor da sua vida naquela noite, por isso constantemente se prende a tais canções.

Noutro dia, também, em que os dois voltavam da faculdade, ele de carona com ela e ela dando voltas para aumentar o tempo de chegada. Ou quando ela terminou o primeiro namoro e carente foi se consolar no abraço dele. Dormiram e acordaram juntos e mesmo assim não fora neste dia em que se reconheceram apaixonados, e apesar de tudo ela voltou a namorar, mas não durou por muito tempo.

Muito pouco provável que na festa em que ele deu para comemorar a nova fase da vida este beijo acontecesse, pois naquela noite, em seu apartamento, estavam: a namorada e ela. Quase vinte e cinco anos se passaram desde o primeiro encontro, ainda na pracinha do parque que ficava perto de suas casas, e nada de se declararem, nada de beijo, nada além de uma amizade.

Quando nada mais conspirava a favor cada um seguiu seu caminho. E, entre idas e idas, a vida deu tantas voltas que lhes colocou novamente um frente ao outro, sem empecilhos, sem compromissos, sem mesmo saberem se ainda havia vestígios daquele sentimento. Até que numa noite qualquer, ao deixar ela em casa, a história teve um novo início, no olho mágico da porta ficou registrado o primeiro momento em que seus lábios se tocaram.

Até mais.

Júnior Dihl – Poeta & Escritor

@JuniorDihl