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Kainan Ismar
Os sentimentos de uma vida encurralados no infinito da inexistência
Escrito por Kainan Ismar

Você queria sair na rua e poder gritar suas dores, sem ninguém pra lhe impedir. Foi o que eu quis, foi o que fiz. A dor que sentia não era algo motivado por um fato somente, mas pela bagagem que sobrevivera à minha resistência desde que… desde que nada se passava em minha mente. Mas em tempos humanos, aqueles que nos matam, não sei dizer, não sei aguentar o tempo, não sei resistir a ele. Queria poder ser a vida daqueles que entendem, pois, afinal de contas, eu nunca quis entender, eu só quis estar ao lado daqueles que entendem, repito, não para entender, mas para sentir o medo de qualquer dia entender.

A luz, ou até mesmo, o feixe de luz que nos diz respeito à vida, é aquilo que diz nosso caminho, mesmo que não desejássemos saber. Eu vivi os olhos da minha vida, não fui completo ou puro naquilo que, por algum momento, quis se fazer sentido.

Foi à explosão de uma expressão escondida que me fez acreditar que eu deveria ou, por assim dizer, poderia criar o desejo de expressar a perdida arte de mim mesmo.

Mas por ser incompleto e indesejado é que me torno complexo, pois ao olhar a área social da raça a qual nos nomeia noto que além de excluído, involuntariamente, me torno isolado por mim mesmo. Talvez não por uma consequência humana de uma sociedade padrão, mas por um modo de defesa que me faz acreditar somente em mim e num futuro que não me pertence.

Pertencer a um grupo desde que nada por você é compreensível, é mais uma forma dos dogmas lhe tornarem dependente de algo que na realidade nem sequer lhe diz respeito. A cama montada na área escura de um lugar proibido a nós é o enigma que nos torna capazes de pensar, pois ao criar a pretensão de ter, somos diferentes de nossas essências. Tornamos-nos ambiciosos em algo que nem sequer precisamos.

Foi por refletir sobre aquilo que estive fazendo que me tornei masoquista em relação aos meus sentimentos, e foram meus sentimentos que me tornaram vulneráveis a perfeição de não estar onde se devia, ou de não ser o que se devia. Haviam momentos de extrema paixão que eu não entendia o significado da necessidade de viver, da ideia que havia se criado de que viver era o melhor, mas afinal, será a paixão medonha por viver que nos torna seres humanos?

E quão grande era a dependência de um por outro, de amar e de ser amado que em ocasiões derradeiras nos tornava cegos e destemidos de voar naquilo que, apesar de talvez não ser algo bom, era a única saída de lugares caóticos onde às vezes, por sermos imperfeitos, nos encontrávamos.

Por que o irreal a nós era tão substituível?

Seria afinal o medo de se entregar o motivo pelo qual nos prendíamos dentro de nós mesmos? Seria a imaculável vida detestada pelo curioso mundo dos vivos-esquecidos a real razão pela qual não saíamos de nossa área de segurança. Por fim, o que todos acreditam não ser a verdadeira razão se sobressai e se sobrediz, afirmando ser ela, a solidão, o encontro com aquilo que acreditamos ser maior que nós, ser aquilo que nos protege e guarda, antes de sermos o que somos, fomos todos um projeto.

Aqueles que irrompem berros ao questionar dogmas, são os manipulados, são os vivos-esquecidos, são a razão da luta por fim.


Kainan Ismar dos Santos.