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Ramon Bernardo
- Brasil de anão.
Escrito por Ramon Bernardo
 
"Nessa terra de gigantes (...) a juventude é uma banda, numa propaganda de refrigerante."


   Hoje eu abri a janela e vi ao acordar, logo ao acordar, uma sociedade distópica. Logo eu, um vagabundo sentimental, amante da cultura. Vi então, um futuro que não era bom. As mazelas do país, as piores. Me senti tão brasileiro que corri e escondi a bandeira estendida no quarto. Não podia ser verdade. Estudamos história e sabemos que seremos brevemente incluídos nela.
 
   Estavam todos na rua. Aos berros, via-se um povo militante, corajoso e incoerente. Acima dele o slogan mais controverso e pornográfico aos leitores. "O GIGANTE ACORDOU". Claro que, como leitor de tal feito, sorri dolorosamente e meu peito cantou o hino nacional sem patriotismo. Para um leitor, isso é a coisa mais triste de se ler. Mas, com a mídia noticiando coisas bárbaras como a 'patologização' da sexualidade, só se podia esperar um hino nacional cheio de eufemismo e mentiras gritantes. O povo sabe o que precisa e quer, mas não sabe direcionar sua petição. Seu slogan era pura falta de alto estima.
 
   Entre mil leitores, que tiveram suas córneas queimadas e seus tímpanos estuprados, vomitei palavras neutras, com medo de estar em campo minado. Onde está o gigante? - eu me perguntei. Mal sabia eu que o 'acordou' era a parte mais triste da leitura. Os que gritavam veemente seus direitos não chegavam sequer a ser a semente do pé de feijão, quem dirá o gigante. E esses 'joãos' barulhentos e reivindicadores nunca dormiram, portanto não despertaram.
 
   O melhor foi perceber, tardemente, que essa minoria e sua distância a anos luz de ser gigantesca foi acordando aos poucos os que de fato dormiam. Claro, é que muitos ainda dormiram por muitos anos. Mas, é um começo. O Barulho, o vandalismo, a incoerência de muitos e todas as falhas vãs desta mera revolução imprecisa e bagunçada atiçou minha ideia de que talvez, um dia, possamos discordar de Louis Couty, quando afirmou de forma sincera e fundamentada que "o Brasil não tem povo".