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Cláudia Banegas
VIRTUALIDADE - DOENÇA REAL
Escrito por Cláudia Banegas

Recentemente escrevi sobre o efeito das comunidades virtuais sobre o ser humano.
Há pouco tempo li uma notícia que foi amplamente divulgada nos jornais e publicada originalmente no jornal "Beijing News": um chinês de 30 anos de idade morreu do coração após ter passado três dias seguidos jogando on line, em um cibercafé. Segundo os médicos, a possível causa da morte foi uma afecção cardíaca provocada pela quantidade excessiva de horas gastas em frente ao computador.
Ainda na notícia, um dado alarmante: na China, a dependência da internet, especialmente entre os jovens, se transformou em um grande problema para o Governo. O país possui 163 milhões de internautas, batido em número apenas pelos Estados Unidos. Para tentar controlar a situação, o Governo chinês proibiu a abertura de novos cibercafés e criou vários centros de "desintoxicação" para viciados em internet.
Isso cada vez mais me assegura que existem sim, doenças reais causadas pela virtualidade.
As pessoas são, a cada dia, tão bombardeadas com notícias desanimadoras no mundo real, que a fuga tende a ser um mundo onde ao menos, por um período de tempo, é bom ser iludido, sentir que pode-se "controlar" a própria vida, isto é claro, quando a conexão não cai deixando o internauta em crises de desespero.
Não falo só das comunidades virtuais, falo também dos jogos online. Às vezes, pensar que o adolescente está mais seguro em casa do que na rua, só porque ele fica jogando online com os amigos, não é a melhor solução, ou talvez, não seja - definitivamente - a solução mais adequada.
Em uma matéria divulgada por um programa da TV dominical, vi uma entrevista com uma mãe desesperada porque seu filho adolescente já não tinha vida própria, mas sim, apenas virtual, jogando online tanto tempo que, ao ser confrontado e  retirado da web, foi tomado por tal crise de desespero e abstinência que, com socos, abriu buracos na porta do seu quarto.
Bill Gates, o fundador da Microsoft, só permite que seus filhos fiquem conectados na net pelo período máximo de quarenta e cinco minutos por dia. Por que será?
Será que é porque ele conhece o poder destrutivo do gigante que existe por trás dos softwares que abocanham não só a vida social das pessoas, mas às vezes, até a própria alma? Devemos nos lembrar, é lógico, que existe limite para tudo nessa vida, até para o amor.
Quando o amor passa dos limites, chega à beira da obsessão e da loucura, isto porque nada em excesso faz bem. Aos pais, cabe impor estes limites, não por rigor, mas por amor. À nós, cabe-nos o equilíbrio.
O que levaria um homem sadio e robusto, de 30 anos de idade, a passar setenta e duas horas conectado na internet, jogando? Compulsão. Uma doença real que infecciona a mente como uma bactéria que encontrou na virtualidade um meio adequado de cultura.
Quanto mais doentes emocionalmente que encontram na net sua válvula de escape para os mais diversos desajustes continuarem conectados. Mais notícias dessas leremos a cada dia.
Não é só o exercício físico, o sexo, o fumo, ou o que quer que seja, praticado em excesso, que torna-se letal.
É a falta de intervenção. É a falta de posicionamento. Muitos têm feito tanto em outras áreas, mas existe uma faceta na virtualidade que precisa ser revista e com urgência.
Quantos mais sucumbirão?
O futuro nos dirá.