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Thiago Macedo
Minha Opinião sobre a Sociedade...
Escrito por Darth Tylerus



Como é mesmo o nome daquela organização pútrida e vazia que rodeia todos os indivíduos humanos? Aquela, que todos os dias espalha seus produtos enlatados por aí, sendo recebidos sem questionamento e críticas? A que condiciona a maioria dos indivíduos a agirem e pensarem igual, sem nenhum traço de personalidade?

Ah sim,  o nome dessa quadrilha organização é SOCIEDADE.

Hoje, ninguém mais abre um bom livro pra ler, ninguém mais chama os amigos pra sentar numa praça pra conversar e rir da vida, ninguém sabe o que é aproveitar cada momento de seu modo. Festas não são mais boas se alguém não cair de bêbado, drogas são coisas de gente descolada,  novelas da Rede Globo são arte, falar de política é chato, garotas de doze anos não brincam mais de bonecas e sim frequentam salões de beleza, garotos virgens são gays, gays são aberrações, não se pode mais vestir o que bem entender sem ser ridicularizado, não se pode mais exteriorizar ideias e pensamentos sem ser condenado, todo "roqueiro" fuma quilos de maconha e trabalho só serve para comprar os últimos produtos na moda.

Vivemos num ambiente extremamente nocivo. Tudo gira em torno do egoísmo, da hipocrisia, do consumismo desenfreado, do ódio e do senso-comum. É tão fácil condenar alguém sem se olhar no espelho, não? É tão fácil receber um enlatado da sociedade, abri-lo, devorar todo o conteúdo e ainda lamber os beiços com toda a felicidade do mundo. É tão fácil se tornar um robô frio e cruel igual milhões se tornaram.

Então, que tal desligar a TV um pouquinho e acordar para o mundo? A sociedade em que você vive aparenta ser brilhante e cristalina por fora, mas por dentro é podre e fede horrores de longe.

Não se torne apenas mais um no mundo.

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Fábio C.
Minha Opinião Sobre a Gestão Lula...
Escrito por Fábio Carvalho

governo_lula

Regido por um modelo econômico liberal que foi posto em prática desde o Governo de Collor e continuado pelo Governo de FHC, o país não obteve as tão sonhadas mudanças geradas pelas expectativas de governabilidade de uma gestão com uma visão política teoricamente diferenciada. O caráter popular-democrático associado aos programas assistencialistas de transferência de renda (ampliados em sua gestão), de fato, provocaram alterações nas condições de existência das famílias mais pobres do país, retirando-as da chamada “pobreza absoluta”. Contudo, refletindo sobre os nossos problemas estruturais históricos, projetos assistencialistas deixam a desejar: seria preciso alterações nos reais determinantes da pobreza para que as famílias atendidas, a médio e longo prazo, pudessem viver em condições dignas sem esses recursos (refiro-me a questão da educação, profissionalização e a justa distribuição de renda).

Sim, dados oficiais comprovam o fechamento de um mandato com importantes realizações. A respeitabilidade que o Brasil ganhou no cenário mundial, por exemplo, fez o país ser enxergado como uma “nação de futuro promissor” (mas essa não seria uma condição conjuntural?). Enfim, apesar das melhorias ocorridas em diversos setores econômicos, o grande índice de desigualdade social persistiu (refiro-me as alarmantes diferenças entre os mais ricos e os mais pobres), sem falar em um sistema político (ou sistema de politicagens) regido por conflitos partidários que empacaram (e continuam empacando) o desenrolar de propostas que realmente pudessem causar melhorias em setores que incidem direto na qualidade de vida da população em geral (refiro-me principalmente a educação, em especial a educação básica, a saúde e a segurança).

Para a gestão atual (ou se preferir, a continuidade da gesta Lula), acho que fica o grande desafio de uma reforma política (considerada por muitos como a mãe de todas as reformas), que apesar de ter sido promessa de prioridade do segundo mandato de Lula, não prosperou: foi adiada por diversas vezes e empurrada para debaixo do tapete. Um sistema político mais organizado e compenetrado com os reais interesses da população do país - como um todo - é fator indispensável para um desenvolvimento mais sólido e duradouro, com menos politicagens e mais política (ciência de governar em prol da nação e não dos partidos e figuras políticas da nação).

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Gustavo Soares Pieroni
Minha Opinião Sobre o Desarmamento...
Escrito por Gustavo Pieroni
Desarmamento
   O Desarmamento é proposto pelo governo com o objetivo de evitar ou não incentivar a violência, mas será que isso iria adiantar? O Governo acredita mesmo que as armas do crime são de origem legal? Como isso funcionaria? Seria um "Por favor, senhor bandido, queira entregar sua arma" ?
   São muitas perguntas e sei que não sou apenas eu que faço e, mesmo assim, a grande maioria da população diz não ao desarmamento, mas o governo continua com a ideia, alimentada principalmente com a tragédia de realengo.
   Em primeiro lugar, é um grande engano o governo achar armas de crime são de origem legal. Atualmente, os bandidos têm a maior facilidade em conseguir tais armas ilegais e, com o desarmamento, não seria diferente, as armas continuariam vindo das fronteiras e cairiam nas mãos dos traficantes (talvez se ao invés do desarmamento intensificasse a segurança nas fronteiras do país, objetíamos melhores resultados). Abaixo duas placas que encontrei na Internet e que representam bem o que penso sobre esse assunto.
 
   
     
    Será mesmo que o governo não parou um segundo para pensar nisso? pff....
   Em terceiro lugar, o nazismo, sim, o de Hitler,  antes de matar Judeus, Ciganos, Gays e Negros, fez o lógico: desarmou toda a população. Sem armas os opositores não podiam lutar contra a maior força armada do mundo na época e, o Brasil, um país democrático, mesmo com a maioria da população votando contra, continua com essa ideia. Não estou insunuando uma nova ditadura, até por que isso é muito improvável, estou citando apenas um fato histórico que me faz ficar ainda mais contra o desarmamento.
 
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Ederson Oliveira
Minha Opinião Sobre a Legalização da Maconha...
Escrito por Ederson Oliveira

legalizao maconha

Muita coisa está por trás da legalização ou não da maconha. De um lado, colocam-se aqueles que são veemente contra qualquer tipo de liberação; do outro, os que enxergam nela a melhor maneira de lidar com o problema do tráfico atualmente. Uma das primeiras iniciativas de combate às drogas por meio de proibição teve seu berço nos Estados unidos, por volta de 1920 e 1930, onde o governo proibiu qualquer tipo de bebida alcoólica: o resultado foi o oposto do esperado. A fabricação clandestina cresceu estrondosamente, tornando a bebida muito mais maléfica – eram encontrados alvejantes, formol e solventes na fórmula. O estado perdeu totalmente o controle sobre a qualidade e ainda teve que lidar com o aparecimento de gângsters que controlavam o mercado ilegal do álcool (como os traficantes). Guardadas as devidas proporções e particularidades, esse é um exemplo de como proibir irracionalmente alguma coisa pode ter o efeito contrário ao esperado.

A cannabis sativa é uma droga psicoativa que, segundo Antonio Escohotado, aumenta a percepção sensorial. Fica-se mais sensível ao frio, ao calor, aos cheiros, aos sabores... Também é vista como afrodisíaco por intensificar as sensações. Além do aumento da fome, leve sonolência, boca seca e analgesia. Especialistas afirmaram, por da revista médica The Lancet, que ela tem menos poder de dependência que o álcool ou o tabaco. Não quero dizer que a maconha não tenha malefícios - até por que ela pode causar perda da capacidade respiratória, bronquite, aumento da vulnerabilidade ao câncer de pulmão, angustia, pânico, prejuízo na memória e na capacidade de concentração -, quero dizer que manter esse tabu não é a melhor maneira de educar a respeito, visto que é preciso debater para informar.

É uma incoerência sem tamanho algumas substâncias serem permitidas e ainda serem símbolos de aceitação social e status, enquanto outras são proibidas e fazem o comércio ilegal sitiar favelas e matar para isso. Liberar deveria ser um interesse de todos, afinal, reclama-se tanto – com razão – da verba pública utilizada indevidamente pelas autoridades. E gasta-se sim verba (muita!) para tentar frear esse grandioso sistema que é o tráfico, enquanto outros setores da sociedade requerem esse investimento. A população tem que ser informada, as marchas pelo país estão mostrando que as pessoas estão tomando consciência que é fundamental tornar estatal o controle da maconha, tanto para enfraquecer o sub-mundo que a fornece atualmente, quanto para garantir o melhor controle sobre ela ou ainda para acelerar as pesquisas sobre seu efeito terapêutico.

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Fábio C.
Minha opinião sobre religião...
Escrito por Fábio Carvalho

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Religião como conformidade de ações com preceitos de uma moral sadia, não como uma "instituição religiosa".

Acho importante acreditar em algo, a vida precisa de uma meta narrativa, mesmo que utópica. O cérebro humano necessita de estímulos para produzir determinadas substâncias e o estímulo da fé, por exemplo, funciona como uma ingestão de ânimo que surte efeitos positivos para uma saga de vida regida por limites, desamparos e faltas de garantias pela perda de fé no Estado e na autoridade.

O discurso das pessoas que criticam o "ter uma religião" ou "acreditar em um Deus", geralmente, é um discurso de angústia, cuja existência precipita-se sobre um "sem sentido". Fazem questão de compartilhar suas descrenças impondo uma racionalidade cientificista que, admitidamente, não tem explicação para todas as coisas. A vida, a morte, o universo... Ainda são mistérios que condicionam o homem, permitindo-o viver em uma ainda chamada "sociedade".

 

Jéssica Albino
Quem quer ser professor: Uma reflexão sobre os desafios da profissão docente no Brasil
Escrito por Jéssica Albino

Vivemos em um país onde uma verdadeira guerra civil acontece, mas é camuflada. Não estamos caminhando para o caos. Já estamos no caos. E no caos de uma sociedade onde a Educação nunca foi prioridade, onde seu papel como promotora de mudança social só é "reconhecido" em discursos políticos ou em desculpas polidas dadas pelas autoridades governamentais quando o SiSU está fora do ar, quando o ENEM é fraudado, quando a lei do PISO não se faz cumprir, quando, ehr... Enfim!

Perguntar por que tão poucos jovens querem ser professores no Brasil é uma pergunta óbvia dado o cenário da Educação Brasileira nas últimas décadas. Melhor é partir para o objetivo central: Quem ainda quer ser professor no Brasil? Quem ainda quer ser um “herói da resistência”, como diz uma professora que tive o prazer de conhecer durante minha trajetória escolar ainda como aluna. Quem ainda está disposto a entrar em um “mercado” que nos exige sermos profissionais com perfil de pesquisador em constante atualização, mas que muitas vezes não nos oferece sequer os materiais básicos para o exercício de nosso trabalho, como giz, lousa e carteiras? Um “mercado” que nos dá em troca um salário que nem sempre possibilita mantermos nossas necessidades básicas como comer, vestir e morar, quem dera investir em nossa formação continuada...

Então aparecem os estudos dizendo que da porcentagem mínima dos que desejam ser professores na atual realidade brasileira (cerca de 2% dos entrevistados), quase 90 por cento são de escolas públicas e das classes C e D. Ou seja, jovens buscando ascensão social através do magistério. Isso me faz lembrar os jovens que desejam ser professores por que fizeram parte da realidade escolar na esfera pública e conhecem, por experiência própria, o campo minado em que estão adentrando, bem como idealizam contribuir para a sua mudança.

Entretanto, “ascensão social” também me faz lembrar os que cursam uma licenciatura por ser mais barato, acessível e na maioria das vezes à distância, sem qualquer resquício de comprometimento social com a profissão. Não é que se trate de um preconceito contra esta modalidade de ensino, mas sim uma crítica ao mau uso que muitos vêm fazendo dela: Apenas para a obtenção mais rápida de um canudo, um canudo que será utilizado sem qualquer compromisso social. E a falta de compromisso social é a base da sociedade brasileira. É uma problemática que remonta aos idos do Brasil Colônia, onde desde já a Educação não era uma prioridade, a menos que estejamos falando da elite...

Sei que não é fácil, mas não é isso que me fará desistir da minha profissão. Não acredito que a tão sonhada transformação no sistema educacional brasileiro vá acontecer da noite para o dia, visto que o estrago foi feito ao longo de cinco séculos. Também não acredito que os professores, por conta própria e integrantes de uma classe tão desunida como a nossa conseguirão promover essa mudança sozinhos: O problema não é só na Educação. O problema é em toda a organização social do nosso país, onde quem sofre é o povo seja com a Educação, seja com a Saúde ou com a Segurança Pública. Enquanto não reconstruirmos nossa sociedade, nossos serviços essenciais sofrerão com os respingos de uma péssima administração pública, guiada por pessoas sem comprometimento, como muitas vezes acontece inclusive em sala de aula, na direção de uma escola, em uma secretaria de Educação. Mas ainda assim eu acredito! Acredito nos professores que me foram influencia positiva. Acredito nos heróis da resistência. Nem que levemos mais cinco séculos, o que, no meio deste caos, é algo impensável... Mas eu ainda acredito.

Jéssica Albino, academica do curso de Licenciatura em Pedagogia no Instituto Federal Catarinense - Campus Camboriú. (Ensaio para a disciplina de Filosofia da Educação, 2011).

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Natecia
Ter Força
Escrito por N. Araujo

forcaO que se sabe sobre algo é o mínimo do que se pode saber, porque quando sentir o tal algo, o conceito muda. Por isso, se diz que a dor só é dor naquele peito que está sendo machucado. Força ao se pensar pela primeira vez, imagina-se algo grande e dificultoso de se ter. Heróis se destacam pela força, coragem e bravura. Comicamente eu acho que essas três palavras se ligam como siris que se juntam para enfrentar a maré. Tudo e qualquer movimento necessita de força, embora não se imagine isso. A mesma força que se precisa para piscar os olhos não é a mesma que se precisa para esquecer um amor ou esperá-lo, claro que não. Não esquecemos amores a cada milésimo de segundos e a nossa natureza não nos ensinou a esquecê-los como ensinou-nos a piscar. Mas um dia uma força que não se sabe proveniente de quê, surge. Surge ao piscar de olhos. Uma voz ecoa, um feixe de luz irradia, os elementos se juntam e bum! Força e logo, seu álibi chega.

N. Araujo

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Mariana Saldanha
Memórias
Escrito por Mariana Saldanha

Estava Patrícia, andando calma e distraidamente pela rua, contando a quantidade de lajotas da calçada, quando desvia seus pensamentos para o céu, nublado e doce. Instantaneamente olha nas ruas um vendedor de laranjas, um mendigo deitado na calçada e um bebum cambaleando ao léu. Entre tantos ambientes para ver, Patrícia fixa seu olhar em uma loja de Frozen Iogurt, onde vê Ana, velha amiga, sentada, fazendo um origami com o guardanapo.

"Talvez eu deva dar uma passadinha lá, só pra dar um oi", pensa Patrícia, mas ao mesmo tempo outro lado do seu cérebro conscientemente avisa que essa não é uma boa idéia. Patrícia entra na loja, pede uma garrafa de água e encara a mesa de Ana. A velha amiga a nota, e dá um pequeno aceno. "Talvez ela esteja me convidando para sentar ao seu lado. Ou talvez seja só um aceno. É, mais provável a segunda opção", pensa Patrícia. Pega sua garrafa d'água, dá um breve sorriso à Ana, e sai da loja.

Enquanto fixa seus olhos novamente nas lajotas, Patrícia relembra o modo como conhecera Ana. Primeiro dia de aula da sexta série, e a partir daí se tornaram melhores amigas. Com o tempo, a amizade foi se desgastando, mas mesmo assim Paty aguentava o modo brutal como Ana a costumava tratar ultimamente. Depois de um tempo a paciência, o amor e a amizade da garota simplesmente não conseguiam mais preencher o buraco que a falta de amor por parte de Ana fazia, cada vez mais fundo. E a amizade acabou. Não por falta de amor, mas porque depois de algum tempo, coisas inúteis para um dos lados se tornam inúteis para ambos.

Patrícia conclui: "Quer saber? Independente de tudo, ainda a amo. Querendo ou não ela é e sempre será minha melhor amiga, quem um dia me apoiou, me deu conforto e carinho. O tempo passa, mas eu ainda sei que morreria por ela". Então a doce garota vira de costas, se direcionando à loja de Frozen Iogurt.

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Pedro Henrique Lima
O Sentido da Vida
Escrito por Pedro Henrique Lima

“Já que todos os fenômenos
são apenas espectros,
perfeitos sendo apenas o que de fato são,
sem qualquer inclinação para bem ou mal,
aceitação ou rejeição,
podemos realmente gargalhar”

 

Ando sem tempo para postar algo de fato bom, mas surgiu esse tesouro que encantou meu dia e resolvi dividir com vocês.

O sentido da vida é esse! Just let it be. Just live!

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Fernando Fantin Vono
Exorcisando Demônios Antigos
Escrito por Fer

Mesmo para discordar de alguém, é interessante conhecer com profundidade o que a pessoa diz. Estamos aqui para criticar um autor que pouco conhecemos, registre-se já. Por isso a crítica corre o risco de parecer superficial, mas que não se trata de um aprofundamento nas idéias do autor, é antes, uma constatação a cerca do método científico.

Joseph Campbell, do que dele sabemos, após analisar vários mitos e a produção imaterial de algumas sociedades, parece perceber algo comum, ou parecido, na maioria das narrativas míticas e demonstra que a concepção do mito está profundamente ligada com fenômenos corporais humanos. Chega à estrutura do que chama o monomito do herói, e mostra que a jornada do herói é a mesma, ou parecida, em muitas das histórias. Além disso, estende a dimensão do herói para todas as pessoas, a individuação se torna possível não mais no nível social, mas no nível individual. E não estranhe o leitor, que por mais que individuação individual possa parecer redundante, não o é. É um movimento histórico que surgiu com o renascimento, e foi possível em larga escala, se concretizando com as revoluções européias. Também aponta que as sociedades "arcaicas" que observou, tinham um motivo corporal para iniciarem apenas os meninos na vida adulta. Para ele, as meninas possuem a menstruação que marca a passagem, os meninos não tendo nenhuma mudança radical, precisam de um ritual de iniciação.

Realmente o conceito de monomito do herói individual é uma observação interessante, e se tornou um instrumento importante, principalmente, na análise e na produção de obras de arte, que são criações humanas, e possuidoras de uma intensa relação com o real, por mais que o artista tente fugir e, portanto, é uma análise, ou um modelo que também possui alguma relevância na realidade. Mas a primeira questão que surge é que essa estrutura de análise, aplicada a nível individual, não consegue computar todas as dimensões, não prevê (apesar de ser possível encarar o meio social como o anti-herói) o peso dos fatores externos e as estruturas sociais que agem na vida individual das pessoas. Mas esse problema não é o único que a análise monomítica traz. A aplicação da individuação universalizada está profundamente relacionada com o individualismo solitário que a modernidade, e com ela o capitalismo, trouxe e a supermodernidade exacerbou. Ao colocar o herói no plano do individualismo, as pessoas acreditam poderem se individuar solitariamente, pouco se lixando com o mundo que as cerca. A questão é que pode-se tornar o herói da própria vida mesmo que as condições externas sejam contraditórias e mesmo que se contribua com essas contradições. O herói é, então, isolado do mundo real e busca, em pequenas aventuras, assumir o seu papel na jornada. Na prática temos o consumo se realizando como narrativa mítica, e as pequenas fugas da realidade, na forma do sexo adúltero, das drogas, das viagens à deslugares, como salvação. Não se trata de um moralismo, é apenas uma verdade empírica, um resultado da contra-cultura, que o modelo de Campbell justifica. E a visão se plenifica, atinge o ápice, na obra do diretor Allan Ball. A Beleza Americana é a individuação solitária do herói de meia idade que encontra no arquétipo da anima garota de torcida, o chamado para a aventura que o tira da rotina insuportável.

Também é hora de observar a visão de Campbell em "O poder do mito", sobre a mulher. O mito, quer trate de homens ou mulheres, é sempre uma narrativa masculina. Surgiu com a sedentarização que se deu pelo fogo no gênero Homo. A sedentarização humana foi, sobretudo, a sedentarização da mulher, na caverna e no antigo protótipo de fogão. O homem, por razões de sobrevivência do grupo, se torna o caçador, passa a pertencer à irmandade aventureira do gênero masculino. Assim, os homens se intitulam mais importantes, pois arriscam a vida, passam a comer os melhores pedaços de carne e, assim, se tornam mais fortes na musculatura e passam a ditar as regras do grupo. Quando surgem as histórias e os mitos, são os homens que as inventam ou contam, para perpetuar uma ordem masculina da história. E é o que sucede desde sempre, o homem ditando como deve ser. O maior exemplo é a sociedade capitalista posto como ápice da humanidade. É o ápice masculino. Então, temos o real motivo de serem os meninos, e não as meninas, os iniciados na vida adulta. São os meninos porque eles devem ser os caçadores, eles devem dominar, e o grupo das meninas, que brincava junto com os meninos quando crianças ambos, não terá um rito e não ingressará em nenhuma irmandade. Não se deve à menstruação, se deve a uma estrutura de dominação masculina.

Outro ponto importante que deve-se debater, é o caráter político da ciência. Ciência é política, quem diz o contrário, é favorável à ordem vigente. E por mais que diga o contrário, sua obra é política. Podemos citar o exemplo ilustrativo da figura que disseminou esse conceito da ciência neutra, o positivista Augusto Conte, que apesar de delegar a favor de uma neutralidade científica, em toda a sua obra defendia a ordem da sociedade e do estado burguês. Desconheço o ponto de vista de Campbell sobre se a ciência deve ou não ser neutra, o que significa simplesmente um desconhecimento sobre uma postura hipócrita ou verdadeira do autor. Esse fato foi trazido apenas para dizer que Joseph Campbell faz política também, só não sabemos se admite. Faz política no sentido que, usa sua teoria da jornada do herói, da iniciação masculina na vida adulta, do chamado à aventura, para justificar as múltiplas guerras que os Estados Unidos participam. Ele alega que o jovem euano encontra nas forças armadas, a materialização do chamado para a aventura e passa a sentir, no exército, o enlevo de estar vivo ao participar de uma instituição maior e mais forte que ele. Diz com isso, que os "crimes de guerra" não devem ser julgados como crimes comuns, pois o soldado estaria cometendo-os enlevado por uma transe heróica, portanto a punição deveria ser menor. Talvez seja verdadeira a análise, talvez os soldados realmente tenham esse sentimento, portanto a análise estaria verdadeira. As a questão que deve ser levada em conta é que as guerras que os EUA participam são guerras falsas, causadas por motivos falsos, onde incitam um transe e um medo coletivo nos euanos, para justificar um modelo de dominação neoimperialista que na verdade só está preocupado com petróleo, mercado e hegemonia. E o "soldadinho americano", tão corajoso, querendo ser herói da própria vida, não é capaz de enxergar o que a guerra realmente significa e a mentira que ela é. Assim, ele participa, mata civis e até morre, no enlevo de uma ciência que o instiga a ser "herói", no intuito de proteger a "pátria", algo muito maior que ele.

Fantasmas estão aí aos montes, e suas leituras nos propiciam uma análise que é válida por muito tempo, e talvez pela vida toda, sem que os questionemos. É a vitória da anti-dialética. Mas sobretudo, os fantasmas estão aí para serem superados, porque a sociedade se move, e as verdades que pareciam lógicas, podem sucumbir, pois eram terríveis contradições.

 

Por Fernando Fantin Vono
Originalmente em:http://resistenciacotidiana.blogspot.com/2010/09/exorcizando-demonios-antigos.html