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Mariana Saldanha
Pós-fim
Escrito por Mariana Saldanha

Ninguém disse que amar seria fácil, ninguém disse que olhar nos teus olhos ficaria tão difícil depois de um tempo e ninguém disse que eu relembraria teu toque antes de dormir, mas o amor tem seus altos e baixos, e, diga-se de passagem, bem mais baixos que altos; só tem uma coisa que é rápida e não dói: o fim.

O que dói são as consequências, teu cheiro no travesseiro, o par de taças ao lado da garrafa de vinho, a escova de dentes ao lado da minha. Isso é o que dói: a falta, não o fim.

Que estejamos sempre no início, porque o ínicio, breve como todo início é, não dói...

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Gustavo Hobold
Essa Modinha de Merda
Escrito por Gustavo Hobold
 

Recentemente (bem, não tão recentemente), a sociedade brasileira (ou até a mundial, se preferir generalizar) dividiu-se quase em duas classes: os coloridos e os que odeiam os coloridos.

A nossa sociedade sempre foi moldada por essas modinhas (entre outras coisas, é claro), mas nunca deixou de se desenvolver. Esses produtos da necessidade atual sempre nasceram, sempre morreram e sempre irão nascer e morrer. No entanto, o que me assombra é que a quantidade da segunda classe que citei, os que odeiam essas modinhas, tem crescido absurdamente e eu realmente não entendo o porquê, mas juro que tento. Hoje temos as bandas de happy rock (vulgo coloridos) que se popularizaram entre o público adolescente, mas no passado já tivemos diversos outros exemplos disso, como o emocore e todos esses ficaram populares não pelo público que gostava, mas pelo público que odiava.

Eu acredito que seja da natureza humana considerar que aquilo que você não gosta ou que aparentemente não traga benefício nenhum pra você deva ser banido urgentemente da sociedade, mas isso não faz sentido algum para mim, realmente. Cada vez mais tem crescido o número de pessoas que quer parecer ser diferente e isso provavelmente inclui você e eu, pois não é a toa que você está lendo uma página na Internet chamada Juventude Clichê e eu estou escrevendo nela. Mas eu realmente duvido que na sua infância ou adolescência tenha deixado de ouvir Sandy & Jr., Xuxa, Angélica e similares, tenha usado seu tempo pra ler e criticar Neitzsche e escrever um ensaio científico a ler Harry Potter e imaginar uma história alternativa.


Tenho visto no Orkut comunidades com descrições totalmente idiotas como “na minha infância a gente assistia Power Rangers, brincava de super trunfo, jogava Super Nintendo e Justin Bieber era apenas um espermatozóide”. Numa hora dessas eu me pergunto: e daí? Hoje as crianças assistem, sei lá, Gormit, jogam XBOX 360, brincam de milhares de jogos de carta que aparecem todos os dias e a modinha de daqui 15 anos ainda é um espermatozóide. É muita prepotência (e idiotisse) pensar que a sociedade não mudaria com o passar do tempo, que não teríamos desenvolvimento e que estagnaríamos simplesmente para você entrar num ciclo nostálgico quando quisesse.

Eu respeito totalmente a opinião de quem não gosta e também de quem gosta desse tipo de coisa, não respeito a de quem vai contra pelo simples fato de ir. Além de idade diferente, pessoas diferentes possuem gostos diferentes. Nem todo mundo é (ou quer parecer ser) cult. De fato, se você quer ser assim o tempo todo, deve ser a pior pessoa do mundo pra se ter uma conversa interessante.

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Felippe
Papo de Burguês
Escrito por Felipe Lima

"A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia"


Assim disse o poeta cazuza em uma de suas músicas...

Certa vez vi numa propaganda comercial que você só seria "o cara" e só "pegaria mulheres bonitas" se usasse aquele tipo de desodorante aerosol em questão no anúncio publicitário. A situação se torna cômica e ao mesmo tempo preocupante, pois realmente tem gente que compra o produto de certa marca não pela sua utilidade, mas pela ilusão que o produto insiste em causar. Hoje, um simples refrigerante trás para quem o bebe, paz, união da família e instantâneos momentos de felicidade: é só beber o produto para começar a rir e abraçar quem vê pela frente.

Os sentimentos se "enlataram" e se "emplastificaram": hoje você pode comprá-los. Os pais adquirem bábás eletrônicas para cuidarem dos seus filhos (TV's de plasma e video games de última geração), o diálogo que deveria ser desenvolvido no restrito ambiente familiar, passa a ser fragmentado e compartilhado com a TV e aí a burguesia faz  e diz o bem entender. Convenhamos que com os recursos tecnológicos ficou até mais prático pedir aquele "dindim" para o papai, basta passar um SMS e evitar aquele "olho no olho".

Assim a humanidade retrocede... É preciso que as pessoas abram o olho e que passem a consumir com mais consciência, não se importar em compar um produto por ser mais barato, olhar as suas utilidades e qual as suas reais necessidades. É preciso que o ambiente familiar tenha a únião e os momentos de felicidades mediados por pessoas e não por máquinas. O olho no olho, e o cara a cara são imensamentes importantes nas relações interpessoais e os terceiros (burgueses) podem atrapalhar, além de não estarem nem interessados e preocupados com o nosso bem estar e com a nossa felicidade.

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Ederson Oliveira
Vai Suportando...
Escrito por Ed Oliveira

Vai suportando...

Fingindo que não se incomoda com os sorrisos amarelos, aqueles que não carregam nada além da obrigação de tentarem ser simpáticos; e tendo que dá-los também, tentando ardentemente passar despercebido para essa gente tão estranha.

Fingindo que não liga para usura que cega alguns a ponto de esquecerem o mais importante na vida: os sentimentos. Tentando trilhar um caminho paralelo a esse, embora tudo o impulsione a se deixar levar pela correnteza.

Fingindo que o fato de conhecer tão poucas pessoas que pensem como ele, é normal. Mesmo buscando, são poucas, e agora ele começa a entender que sempre vai ser asssim... São os "poucos e bons", os nossos.

Tentando acreditar que os políticos vão melhorar o país, que o povo vai valorizar as músicas com alma, que os preços não estão tão altos assim, que a educação está preparando os alunos pra vida, que o sistema de saúde vigente salva todos que precisam dele, que a pobreza vai ser eliminada... Se enganando para preservar o que de sincero ainda lhe resta.

Assim, vai se adaptando, se moldando, para conviver com os demais. Sem deixar, porém, suas partes vivas se apagarem. Reservando essas pra alguns.


Vai suportando... Mas uma hora cansa.
"Seria mais fácil fazer como todo mundo faz.
O caminho mais curto, produto que rende mais.
Seria mais fácil fazer como todo mundo faz.
Um tiro certeiro, modelo que vende mais."

Engenheiros do Hawaií

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Ederson Oliveira
Ser, mesmo diferente.
Escrito por Ederson Oliveira

pessoasMe perco pensando no jeito como as pessoas tentam impor o seu modo de viver sobre as outras. Qualquer caminho que se desvincule daquele que elas escolheram "já é tido como errado". Se você pensar que só pode ver o mundo de uma forma, acabará perdendo a chance de conhecer pessoas interessantes e, até mesmo, de se renovar. Porque só se renova quem consegue buscar alternativas diferentes da que acredita atualmente.

Admiro quem enxerga que as escolhas que cada um faz não podem ser rotuladas. O que vai definir o que foi uma boa opção ou não é o tempo: e esse ninguém pode controlar, ainda bem. Imagina a monotonia que seria um lugar onde o jeito de viver fosse "padronizado", sem a beleza da diversidade que as diferenças acrescentam.

Ser, é viver de acordo com o que se acredita e deixar que os outros também vivam de acordo com suas crenças. Quando todos estiverem convictos que não existe erros ou acertos quando o assunto é viver, vou acreditar que o ser humano é realmente livre para fazer o que quiser. Até lá, a gente vai driblando esses ditadores, buscando nossa verdade.

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Fernando Batista
Pessoas Engraçadas
Escrito por Fernando Batista

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Algumas pessoas são futilmente engraçadas...

 

Elas passam seus dias frustradas, reclamando por não encontrarem alguém que as valorizem, mas procuram só as erradas! Sabe a que conclusão cheguei após muito observar? Que essa é uma forma agradavelmente FÚTIL de confortar a consciência.

 

Funciona assim: procura-se a pessoa errada - aquele musculoso de cabeça oca que você fantasia que crescerá ou aquela linda mulher que, apesar de ter saído com metade da cidade, você jura que mudou contigo. Até que um dia a pessoa enjoa a parte pro próximo pedaço de carne, aí cai na real e vê que a outra não é bem aquilo desejava! E parte pra outra! Pra próxima pessoa da fila... E pra próxima... E pra próxima... Sim, porque hoje em dia as pessoas têm fila, não coração.

 

- Pegue sua senha e vá para o final! É o que dizem, mas as vezes o final não é assim tão distante quanto pensam...

 

E você acha que por não terem tantos pretendentes a próximo dão o braço a torcer?! Não mesmo! Afinal de contas, "elas são o que são, não o que dizemse não gostou tem quem goste" entre tantos outros clichês.

 

O incrível não é que existam pessoas assim, mas o fato de estarem sempre olhando em volta e reparando como a outra é galinha, como o outro é idiota, e por vezes culpando O MUNDO por serem infelizes! Sim, a culpa é delas e elas põe em quem quiserem, incluindo o MUNDO! Convenhamos, é bem mais fácil culpar todo o resto do universo que mudar sua forma de tentar ver os fatos uma vez que seja, não?

 

Talvez essas palavras não lhe tenham dito nada, mas se você parar pra pensar nos próprios atos quando for chamar alguma garota de biscate (ou algum cara de babaca) de novo, terá valido a pena.

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Mariana Saldanha
Temporal
Escrito por Mariana Saldanha

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Já percebeu como o céu fica limpo depois de uma tempestade? Nosso coração também funciona assim. Primeiro a decepção, a profundidade de uma briga sem fim. Um choro demorado, um abraço apertado. E o coração está pronto para outra. E mais duas, mais três, cinco, trezentas outras.

Mas tem uma hora que o coração cansa, desiste de tudo isso. Ele fica tão desgastado que simplesmente não encontra mais ninguém que valha a pena tudo o que está passando para manter-se vivo.

Não sou de brigar, discutir, guardar rancor. Geralmente sou a primeira a finalizar uma discussão. Aprendi bem a pedir desculpas quando estava errada e quando estava certa, também. Por isso, agora sou o típico tipo de gente em que acham que se pode pisar.

Não em mim.

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Maria Carolina
Distorções, mentiras e calúnias
Escrito por Carol Lee

Do desnecessário imortal, beirou minhas palavras sinceras, causando anômalas e temporárias distorções, quebrando, trecho por trecho, cada singular pedaço que, antes, compunha as paredes que agora não me cercam mais. Na tristeza e agressão de palavras, perspicaz irônica lapeando os lábios de alguns, entremeio risadas, como se todo o nosso mundo, o paraíso concreto de palavras, fosse uma verdadeira piada. Insípido e azedo tal como sal, eu provei da malícia e ignorância de alguns que deixaram sua essência a mercê. Durante a imensidão de ondas azuis quebrando a costa e, alcançando os rochedos, enxerguei artifícios repletos de calúnias serem demonstrados, opondo-se a límpida verdade. E eis a questão que atormenta meus sonhos: será a real e sincera verdade?

Do rir e não ir, movimentando e entornando mais feições rudes e palavras agressivas ao caldeirão, pegou-se fogo. Sai queimada, ultrapassando as faces sorridentes de alguns seres. Transcendeu-se os limites, englobando o fim de nossa paciência, como se fossemos peças de um tabuleiro que aquele alguém pode jogar. Tolos, incógnitas da sociedade, não somos tão burros quanto vocês podem julgar. Na matéria e essência que nos compõe, sabemos nós, a verdade em qual acreditamos e, fielmente, seguimos.

Vocês se perderam em calúnias. Fizeram mentiras e construíram as paredes com concretos superficiais. E quebrar-se-á. Com o tempo, com o desgaste, com a falta de verdades suportando o peso de tuas mentiras. Então, contradiz: englobe as forças maiores, acima do capaz e segure esta fortaleza. Por si só, com seus próprios braços, e eu verei você se perdendo na dimensão dos universos alucinantes que o consumiu. O fez tão pequeno, devorado por as mentiras que contou, através de seus irônicos lábios.Construa seu forte, suas paredes, seu paraíso com os tijolos da mentira e acrescente calúnias. Verá com seus próprios olhos: a si mesmo, quebrando-se.

Carol Lee

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Fernando Fantin Vono
A Educação Deseducada do Estado de SP
Escrito por Fernando Fantin

O rumo que a história humana tomou desde as teorias dos homens das luzes, mais precisamente a partir de 1789 com as promessas de emancipação humana, que mesmo com a “recente” crise da racionalidade, fez com que se depositassem muitas expectativas em torno da educação. Não se é para menos, sendo que cada ser humano vive em um constante processo de formação, mas mesmo assim, ainda não houve uma tomada de consciência generalizada que fizesse do racional (coloquemos nele os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade), o real, como desejaria Hegel. Porém, tantos séculos de discussões sobre o processo de educação como agente emancipador, de nada parecem contar aos governantes do estado de SP, empenhados em retroceder qualquer avanço, no discurso e na prática pedagógica, retrocesso que não faria sentido algum, se desconhecidas as intenções do partido político que há 16 anos está “mexendo os pauzinhos” cá neste estado. Como intenções não podem ser medidas e, assim, levadas em conta em uma discussão séria, partiremos dos fatos e seus desdobramentos.

Uma primeira visão sobre a educação no estado de SP, nos mostraria um retrato um tanto curioso. Uma proposta educacional voltada para o mercado de trabalho, com material escolar de livros e revistas com aulas já prontas intentando uma suposta padronização que, na prática, retira a autonomia e a liberdade dos professores, um modelo de progressão continuada que consegue excelentes níveis de aprovação (obviamente, se não podem haver reprovas exceto por faltas), salas de aulas lotadas e falta de espaço físico para acomodação de todos os alunos, segregação dos professores e professoras através de divisão em categorias (transformando-os em competidores entre si e enfraquecendo-os como classe), dificuldade de obtenção de trabalho fixo e de estabilidade para os docentes, com pouca quantidade de provas de efetivação, com vagas mínimas, salários miseráveis, e alto contingente de professores temporários (esses com salário ainda menor, maiores incertezas e, também, menores direitos trabalhistas), sendo que as professoras e professores recém-formados (jovens) são os que mais dificuldades encontram para ocupação de cargos, tendo seu potencial (característico da idade) suprimido. E absurda é também uma lei assinada pelo governador José Serra (PSDB) em que os professores e professoras da categoria O (semelhante à casta dos Intocáveis na Índia, pois esta apresente os menores direitos e é a última da fila na atribuição de aulas) após o término dos contratos, devem permanecer 200 dias afastados das salas de aulas, sem receber nenhuma remuneração, claro está.

Também visualiza-se um enxugamento na grade curricular das licenciaturas em universidades públicas e privadas, talvez na tentativa de tornar os cursos mais atrativos, frente as condições futuras de oferta de trabalho que os graduandos enfrentarão.

Ao mesmo tempo, observa-se uma discrepância entre a realidade e a aparência, uma vez que na propaganda (está com caráter eleitoreiro), apareciam professores com ótimos salários, 2 professores em salas de aulas, educação em tempo integral, informatização da educação e desempenho mascarado nos índices do IDESP. Esse abismo entre a “verdade verdadeira” e a “verdade mascarada” é reforçado pelos detentores da produção midiática impressa e televisiva (leia-se Veja, Estadão, Folha de SP, Globo, Band, editora Abril, etc) numa mensagem de que toda a culpa dos atrasos educacionais se devem às professoras e aos professores, alegando, entre outros absurdos, que as aulas deveriam ser cronometradas, como se os docentes já não fossem suficientemente podados.

O leitor inocente, se é que o estivesse metido em tal leitura, se perguntaria se é realmente verdade que o Sr. Serra é lobo em pele de cordeiro e se essas mídias tão comprometidas com a “imparcialidade” pertencem de fato ao chamado PIG (Partido da Imprensa Golpista). Para também sermos “imparciais”, vamos abstermo-nos de responder essas questões e, apenas, colocarmo-nos a investigar alguns desdobramentos do que essa impressão inicial da realidade educacional nos propiciou.

Quando Locke formulava sua teoria educacional, essa era direcionada aos filhos dos “Gentleman”, sendo que aos filhos dos indigentes e das camadas mais baixas da sociedade, cabiam as “escolas de trabalho”, em que eram submetidos ao trabalho forçado e ao ensino religioso como forma de aceitação da submissão. Notamos por aqui, que essa visão pouco mudou, primeiramente pela valorização que o governo PSDB tem do ensino técnico em detrimento ao ensino não técnico, segundo pelo descaso com este último. A formação precária do professorado, bem como a dificultação de sua inserção (dificultando o cumprimento de um plano de aula anual para as classes ou salas) possuem reflexo direto na precarização dos ensinos fundamental e médio, sendo que estes ficam multiplamente comprometidos, por esses dois fatores que citamos, e pelo acorrentamento à estrutura do livro didático no cumprimento do diário de classe. Corrobora com esse processo empobrecedor as medidas adotadas em relação ao próprio aluno com a deturpação do que deveria ser a progressão continuada (essa deveria apenas ser aplicada nos anos iniciais, e com atenção redobrada aos alunos que não conseguissem as notas mínimas), sendo que essa torna-se apenas um mecanismo para atingir índices elevados.

Esse modelo parece coerente com uma proposta de formação de mão-de-obra não crítica, que não tome consciência e não reivindique, em coerência também com o processo de criminalização dos movimentos sociais e das reivindicações por parte dos governos do PSDB e do DEM, como tivemos nos recentes exemplos de repressão violenta às manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, e no ano passado, outra repressão violenta à greve dos professores. Um governo que marginaliza os direitos de locomoção dos trabalhadores e trabalhadoras e de dignidade das professoras e professores, só pode querer a formação de cidadãos não conscientes, através de uma educação não-problematizadora, distanciada da realidade social.

Outra visualização explícita se dá na consciência dos professores e professoras enquanto classe social. A consciência de si somente é possível na relação com o outro, como proporia Marx. A divisão do corpo docente empregado e não empregado em categorias, faz com que cada uma das categorias enxergue na outra, não uma semelhante, como deveria ser o caso, pois são todas compostas por professores e professoras, mas uma antagônica. Tal achado faz com que não se consolidem como uma classe, com os mesmos objetivos, os mesmos direitos e as mesmas lutas, e assim, passem a competir entre si, uns para a manutenção do status que lhes é favorável, outros por um pequeno lugar ao sol. Fato este, que influencia, em última instância no não solucionamento dos inúmeros problemas que cada cede de escola possa enfrentar, uma vez que toda essa energia seja desviada de qual deveria ser o seu fim último.

Um descaso com a educação é, antes de tudo, um descaso com o ser humano. Sonhamos com uma educação que de fato liberte os homens e as mulheres, mas já nos habituamos ao fato de que o ser humano seja relegado à segundo, terceiro ou último plano, uma vez que, no capitalismo, toda a lógica é a do capital, ele e só, ele é a prioridade. Mesmo a social democracia proposta por Keynes não estava de fato preocupada com os direitos dos trabalhadores e sim, com as crises no capitalismo, então o que esperar de um partido político que leva o nome de social democracia, e nem mesmo se comporta de tal maneira (que já seria contraditória) no poder? Claro está, que a solução não deve vir de cima para baixo, cabe aos seres humanos que sofrem com o produto desse desrespeito, os e as professoras, pais e mães, alunos e alunas, isso se os buracos da sinta forem suficientes para o tempo que a greve for necessária. 

Por Fernando Fantin Vono

Originalmente em:
http://resistenciacotidiana.blogspot.com/2011/02/educacao-deseducada-do-estado-de-sp_24.html

 

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Fernando Fantin Vono
Tout Puissant Mazembe
Escrito por Fernando Fantin

         Um evento futebolístico recente, o Mundial de Clubes de Abu-Dhabi, especifiquemos, mostrou uma “coisa” do futebol, que alguns torcedores céticos, e que talvez por isso mesmo não mais torciam, já haviam desacreditado. As notícias na TV e na internet chamam essa coisa de Zebra, e pareciam desesperadas em frisar, grifar, supersalientar a palavra, e com isso deixar claro que seria impossível, estatisticamente falando, um raio cair três vezes no mesmo canto. Bater o Pachuca, o Inter, haviam sido tristes coincidências, e o Inter de Milão trataria de colocar os africanos no lugar que a Europa convencionou que cabia a eles, para não usar a palavra condenou, talvez muito forte para os refinados ouvidos europeus. Mas aqueles velhos torcedores pareciam saber que a “coisa” de que falamos, na verdade tinha outro nome, e inocentemente, ignoravam todas as estatísticas e probabilidades para o jogo de domingo. Timidamente acompanhavam, sem algum motivo que saberiam explicar, o jogo do Mazembe, a esperar algo que, por fim, não veio.
         O que passou, passado está, diriam, e a vida segue para o time que foi derrotado. Não adianta ficar remoendo, e a dor não é tão grande como quando perde o Corinthians ou o Flamengo, até mesmo que esse tal de Mazembe era-nos um desconhecido até o ano passado. Mas mesmo assim, algo nos parece ter ficado engasgado, e se não dito, aquele desencanto com o futebol há de retornar.
         Mas o que é isto do futebol que nos parece tão difícil de tragar, perguntaria quem estivesse a procurar a próxima palavra, lendo ou escrevendo estivesse. E ao procurar a resposta no Google, que também para isso serve, chegaria em alguns pontos que julgaria fundamentais, mesmo que parecesse não fazerem o menor sentido, mas eis que estão todas aí, as questões de sempre, que não cessam de repetir-se.
         A primeira grande questão que aparece é a resistência negra, do time, ao jogar o que jogou e mostrar sua força sem abrir mão da cultura, dos rituais e das danças, sem negar o que os torna especiais, mesmo que o pessoal da grande mídia os ridicularize (sutilmente, que nisso são especialistas); e também dos africanos e do seu orgulho, nos mostra no rap do estudante angolano Kanhanga em Porto Alegre, a mensagem contra o convencimento do Inter e contra a caracterização do Mazembe como Zebra, canta ele “Que a África tem time o mundo ouve agora” e o pessoal do Inter, e o resto do mundo ouviu bem.
         A próxima é uma questão menor, bem menor, uma questão de Bosta, ou melhor, de Bastos, Rafinha Bastos (não me lembro corretamente o lugar do “a”e do ”ó”). Nosso humorista do “brilhante” programa CQC, frustrado com a derrota do Inter, e desaforado pelo rap do Kanhanga, também resolve adentrar na música negra (deixando subentendido com a poesia infantil que elabora, que o rap seja uma música simples, “inferior”) e elabora algumas frases excepcionais (excepcionalmente racistas e carregadas de preconceito) como “Foi uma derrota intrigante pra um time que treina com um bando de elefantes”, ou criticando o Inter, “Não adianta botar a culpa na Macumba”, como uma provável alusão à religiosidade africana, claramente uma referência às religiões negras como sendo religiões de segunda, falsas. É esta uma questão pequena, mas dentro do contexto do racismo no Brasil, mostra-nos que o discurso racista ainda hoje (apesar de absurdo) encontra espaço na mídia brasileira.
         Tal achado nos remete novamente a um outro caso em que o rap como expressão da resistência negra, curiosamente com um apresentador da mesma emissora que abriga o tal rafinha. Quando o tal Boris Casoi ridicularizou dois garis em um vazamento de áudio e o rapper Garnett campos uma música para responder à ofensa do apresentador elitista. Essas duas realidades continuam a ser conflitantes, os ricos e brancos e seus veículos continuam a querer explorar e ridicularizar o preto e o pobre, e estes contunuam a resistir e a ganhar cada vez mais espaço, pois sua luta é legítima. Se existe, falamos da visão elitista dos civilizados, um Eu (rico e branco) e um Outro (negro e pobre), existe uma contradição que nos leva a outra grande questão que encontramos no Google. O poder do dinheiro.
         Se existisse um Deus, e ele fosse o responsável pelos placares do futebol e se esse tal Deus fosse coerente, sendo o Mazembe o que representa (todos os anseios e expectativas duma realização histórica, para não dizer mais) e o Internacional de Milão o que representa (o futebol como negócio que movimenta milhões e como colaborador das grandes marcas, também para dizer outros maises), o placar só poderia ser um, e os vencedores seriam “os corvos”. Como de fato existe um Deus, que se chama Capital, que tem a sua coerência, porém dentro de uma outra lógica, o resultado foi o que foi, e a vida segue, capitalista. E o Inter ganhou, e ganhou também uma receita total, em 08/09, de 196.500.000 €.
         A outra questão que surge, que nem bem é uma questão, talvez uma abstração. A esperança. O Mazembe trouxe-nos essa coisa que, por vezes, é esquecida, mas que é necessária, no futebol e na nossa vida cotidiana, para seguirmos lutando contra, porque sobreviver é lutar contra, esse sistema que nos impede de levantarmos a taça, necessária para seguirmos nesse campeonato da economia mundial em que a Europa (e os EUA, que nisso não são piada como no futebol) sempre vence(m), ou sempre vencia(m). De fato, esses torcedores de um algo melhor devem muito a esse time da África, que fez bonito, por jogar, mais do que contra 11 jogadores, contra milhões, de euros estamos a falar. Obrigado Todo Poderoso Mazembe.

 

Por Fernando Fantin Vono

Originalmente em:
http://resistenciacotidiana.blogspot.com/2010/12/tout-puissant-mazembe.html