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Manoelle
Pureza Daninha
Escrito por Manoelle D'França


Ó, rainha, erva-doce, erva minha.
Venenosa estrela-de-anis, dos lábios de botão de rosa e olhos negros como cassis.

Ó, mulher, feiticeira; ó, menina.
De alma impenetrável como um espelho, 
Refletes minha imagem de volta sem revelar-me teu interior;
Bem como o imaginário mel dos teus lábios deixa-me em dissabor, 
Por não saber seu gosto,
Por ainda não ter descoberto o grau de ebriedade que me traz este amor pressuposto.

Branca rosa, recendendo a sedução.
Quero provar da tua doçura, quero sentir o toque da tua mão.
Quero tocá-la suavemente, como se toca as cordas de uma harpa, 
Quero bebê-la numa taça de cristal.
Para remover do meu coração esta farpa,
Só mesmo tua inocência cedendo a este amor irracional.

Quero descobrir tuas belas curvas, moldando-as como barro.
Quero ter-te acolhida, sob o meu afago.
Quero mostrar-te o céu, e remover de minha boca o fel da desilusão.
Quero provar-te, quero amar-te.
Quero dar-te meu coração, moído em reluzentes grãos de paixão.
Quero dar-te de um homem apaixonado, a devoção.

Dê-me a oportunidade de fugir dos meus sonhos e viver a tua realidade
Deixe-me mostrar-te o que é o amor de verdade.
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Amanda
Lis
Escrito por Amanda


Apesar de todos os personagens que criou para si, do fake na internet, do pseudônimo, do codinome, do anonimato, do tiro e do tapa, a mesma e sempre Lis é quem dá a última palavra no jogo sujo que sua mente faz. A assustada Lis não consegue ser como o corajoso Manoel, espontânea como a autêntica Vera. É Lis demais para ser Tereza. Mas que tristeza que é ser Lis. É um poço sem fundo, escuro e frio. É criança medrosa e invejosa sem pai pra mimar. Mas queria ser tantas e tantos tão mais felizes que já pode gastar horas planejando como ia ser: quando chegasse no palco, arrancaria lágrimas de riso e gozo e também de saudade. Só que tem o mal do assombro, de ser assim como um monstro de cabeça enorme. Queria ser Danda que dorme cedo e acorda boa, mas é Lis que uiva para a Lua e descontrola sempre. A madrugada é um grito de socorro. SOCORRO! - Alguém me ensine a ser humana, estou em pedaços inalienáveis. Estou sem esperança, mas não quero morrer, me soltem dos laços que poderei me salvar ainda.

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Dani Ribeiro
Mesmice
Escrito por Dani Ribeiro
 
Cabelos ondulados levemente tingidos
Versava alguma poesia que não ousasse dizer
 
O “nó da garganta” deslizando em seus dedos
À espera do dito que a ela foi negado
 
O passo e a sandália abotinada nos pés
As unhas refeitas para serem esquecidas
 
E ficou entre um átimo e a semi-insanidade
Criando o seu tempo de trás para frente
 
A noite presente na ausência de corpo
O vício sustentado pela cobiça de fuga
 
Os trajes despidos, a carne branca e nua
O desejo contido em toques de mão fria
 
E ficou entre um átimo e a semi-insanidade
manipulando o seu tempo de trás para frente
 
 
Dani R.F.
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Juventude Clichê
De Bandeja
Escrito por Juventude Clichê

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Publicação original de The Wireless. Tradução de Catavento.
 
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Samira
Meninice
Escrito por Samira Assis

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Menina, de tudo, da cereja em seus lábios, do pé cansado do salto alto, da meninice e do algodão. Ela amarrou seu laço do cadarço quando seu pé era descansado e sem calo. O cabelo pendia, mas com toda a leveza do mundo. Dos batons, ficaram os tocos na penteadeira, mas de qualquer idade, eternamente menina ficou. Deus deu a suavidade do seu ventre e seus dedos finos e delicados, que irão tocar os cabelos e as costas de seu filho. Lá daquele banco, uma menina sonha com o mundo inteiro, que não é nenhum mundo de dezenas de Louis Vitton separado por cores. A menina que honra sua meninice, sabe a virtude que pousou em si.  É a mesma a ter a honra ao olhar para sua mão enrugada e se recordar da juventude. Pois a menina, que um dia virou mulher, nunca deixou de ser menina.

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Ederson Oliveira
A vida é sobre não estar imune
Escrito por Ederson Oliveira
 
Ninguém está imune de, em uma quarta-feira nublada de dezembro, achar alguém que torne seus dias mais leves e cheios de borboletas (que a essa altura já saíram do estômago e estão voando por aí). Depois disso, a relatividade do tempo fica tão evidente quanto seu sorriso bobo lendo mensagens no meio da tarde. Horas, meu amigo, podem ser uma intragável eternidade e minutos podem durar um século inteiro. Ele, o tempo, só reflete a velocidade do que a gente está sentindo, ora congelado pálido e ora mais apressado que a luz. Uma vez eu li que as coisas mais legais acontecem quando a gente está distraído, sem procurar, sem grandes expectativas. E fazendo uma rápida retrospectiva é muito fácil perceber que o que a gente tem de mais valioso hoje vieram de encontros casuais, de lugares comuns, sem nada de premeditado ou esperado por semanas. A vida tem esse capricho, de dar quando a gente não espera receber. Então, não menospreze o poder das quartas-feiras nubladas de dezembro e muito menos da gentileza que o universo é capaz de prover...

Ninguém está imune, entretanto, de, em um sábado chuvoso de março, deixar ir alguém que já não estava de verdade há tempos. É a ampulheta do tempo virando, e a gente com ela. As tais borboletas já foram sobrevoar outros lugares e a chuva de fora não é nem um pouco comparável ao dilúvio de dentro. É como se aquilo que começou naquela tarde de dezembro não apenas tivesse apenas se iniciado naquele momento, mas tivesse começado a acabar a partir de lá. “A gente começa e já começa a terminar”, porque o universo tende ao caos e a gente não seria diferente.

Não duvide da imprevisibilidade dos dias despretensiosos, não ache que a gentilezas vão durar para sempre e, sobretudo, nunca pense que outras tantas ainda não virão. Porque a vida, amigo, é sobre não estar imune.

 

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Fábio C.
Gonzaguinha - Comportamento Geral
Escrito por Fábio C.