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Manoelle
Dom sem dono
Escrito por Manoelle D'França

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Teimosia de muitas forças,

indomável, sem controle algum.
Dissimulado e cheio de vícios,
nascido e criado em lugar nenhum.

Um intolerante noturno, matutino, vespertino.
Dom sem dono,
dom em desatino.
Desaba em cascatas de desequilíbrio,
mas tomba como flores na primavera.
Do coração,
suas palavras me fecham uma cratera.

Me possui quando tem vontade,
e some deixando-me à mercê da realidade.
A única cura para a dor que me causa,
o chão em que piso quando me desvia da estrada.
Meu lar quando me deixa adormecer no sereno.
Do melhor dos antídotos,
o inevitável veneno.




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Fábio C.
A Verdadeira Globalização
Escrito por Fábio Carvalho
 
 

A Globalização Perversa, por Milton Santos

A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna-se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.

Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.

Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.

 

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Fernando Costa
Autocrítica de Ressaca
Escrito por Nego Rockhard


Cuspo sangue ao atravessar a rua.

Mais um manhã em pé e caminhando contra 
a própria vontade. Outro assistente inofensivo, 
brincando de querer ser milionário, jogando tempo
e saúde mental no lixo em troca de um atestado
de fodido todo quinto dia útil do mês, assinado 
por um gordo depravado de meia idade qualquer
que lota as filas das casas de swing e puteiros.

Cuspo sangue quando vou mijar.

E o embrulho no estômago me dá alguns segundos
de arrependimento das inúmeras doses destiladas
que preenchem as minhas madrugadas solitárias em
pistas de dança e áreas de fumantes nos finais de semana.

Cuspo sangue no copo d'água, num icônico brinde
a todos os papéis de bêbado otário que eu tenho
interpretado nos últimos meses. Me desculpando
com seguranças e gerentes e cumprimentando 
filhos da puta que nunca foram com a minha cara e
que dão aquele sorriso de merda de quem vai tentar 
roubar a sua garota assim que você virar as costas.

Cuspo sangue na privada enquanto sou colocado 
de joelhos pela ânsia e a tontura e a baixa pressão 
sanguínea dignos da ressaca de um ditador, que se
curva diante do resultado ingrato da vã perseguição 
das suas obsessões infantis.

Descem descarga abaixo toda a esperança que um 
recém embriagado pode ter. Junto com todas as 
bitucas dos cigarros que insistem em fisgar minutos 
provavelmente não preciosos da sua vida.

Junto com todas as mulheres-explosões-estelares
que iluminaram por breves momentos sua tragicômica
existência e depois desapareceram de forma lógica 
na equação medrosa criada por ele mesmo cuja única 
função é afastar qualquer uma que se aproxime
suficientemente pra ver o garoto inseguro atrás da 
nuvem de piadas ruins e histórias inventadas.

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Ederson Oliveira
Em um banco de praça
Escrito por Ederson Oliveira

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Alguns dias são bonitos só de existirem. Não precisam que nada de extraordinário aconteça para aumentar o nível de contentamento que a gente sente com a vida quando se está em um deles. Talvez esses dias não sejam os mais frequentes, então há de se sair de casa e abusar da sua efemeridade. E hoje foi assim.
Acordei como quem não sabe exatamente de onde veio esse ânimo que andava ausente, mas que sabe exatamente para onde canalizá-lo. Andei pensando que o fato de a gente acreditar que tá feliz pode ajudar, alguma coisa como efeito placebo. Desde então, acordo fingindo que não me preocupo com esses problemas (tão bobos, vá) e aproveito a liberdade que isso gera. Então, cá estou, em uma tarde de quarta-feira sentado em um banco de parque , pensando no quanto tudo pode ser mais leve se a gente deixar.
E isso tudo me parece menos bobagem quando olho pro lado e vejo mais pessoas assim, só sentindo a vida em uma quarta comum. Penso que, lá na frente, essa gente que tentou não levar as coisas tão a sério é que vai sentir ter feito algo da vida além de passar por dias seguidos e automatizados. A vida é mais que isso...
 
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Fábio C.
"Quando compramos algo, não pagamos com dinheiro, pagamos com o tempo de vida"...
Escrito por Fábio C.

 
É  preciso criar mundos de felicidade com poucas coisas, com sobriedade. É preciso viver com bagagem leve e não escravizado pela renovação consumista permanente, que obriga a trabalhar, trabalhar e trabalhar para pagar contas que nunca terminam. Não se trata de uma apologia da pobreza, mas de um elogio à sobriedade.
 
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Manuella Costa Pires
"Esse Sim"
Escrito por Manu Pires

altPerguntas, perguntas, perguntas
difusão delas no ar
reflexo de um pensamento adverso
desapontamento, indecisão, frustração
decepção, relento e indignação
paira um sentimento do poderia
remói corpo e alma, mente e coração
talvez se eu tivesse, o que aconteceria

o “se eu tivesse” não da-te a vaga
não assegura-te a casa
não mostra-te o caminho
não acrescenta-te a experiência
o “se eu tivesse” não existe
já foi, acabou, evaporou, solidificou
ou líquido se fez, mas não modificou

por isso temos o agora
um caminho alegre ou triste
totalmente inconstante
vem amores, vão amigos
vem rancores, ficam perigos
vida, traçada, colocada, objetivada
está aí, dia a dia, noite a noite
o “se eu tivesse” não existe
o hoje, esse sim existe.

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Fábio C.
13 Fotos Historicamente Curiosas
Escrito por Fábio C.
 
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Chegada da Mona Lisa ao Museu do Louvre, logo depois da II Guerra Mundial.
 
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Uma praia da Austrália, em 1900.
 
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Segregação racial no sul dos Estados Unidos.
 
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Um dos primeiros McDonald's.
 
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Um carro no ano 1900.
 
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Hugo Gernsback e seu televisor portátio, em 1963.
 
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Charlie Chaplin com 27 anos, em 1916.
 
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Fidel Castro uma sua escola católica, em Santiago de Cuba, 1940.
 
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A rainha Elizabeth durante o serviço militar na II Guerra Mundial.
 
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Martin Luther King e seu filho removendo uma cruz queimada que membros do KKK (Ku Klux Klan) deixaram em frente a sua casa, em 1960.
 
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Os Beatles no início da cerreira.
 
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Filmando o leão para a clássica logo da MGM
 
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O último Tigre da Tasmania, 1933.