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Juninho
Vulnerável
Escrito por Juninho Die

Eu desisti, já não posso respirar esse ar
Estou farto de sentir que não existe razão
Não sei o que fazer, leve tudo isso embora

Me diga o que eu devo perguntar?
Porque, por alguma razão, eu ignoro as respostas
Me diga que porra há de errado comigo?
Eu sei, ou pelo menos, um pouco das verdades...

Eu já não vejo mais razão para viver
Não sei o que fazer, eu desisti
Eu sempre achei que era forte
mas eu estive sempre errado e com medo

A única certeza que eu tenho ainda
Que tudo pode ficar pior
Eu mesmo, sou o pior dos meus inimigos?

Meu grito é fraco, mas a verdade é forte!
Deus...!

Me tire desta vida de fracassos
Deus...! Me leve!

Eu já não tenho tempo para a paciência
A primeira oportunidade seria o meu Adeus

Eu já estou começando a ficar louco
Eu não sou uma pessoa certa em pedir ajuda para tal

Eu estou sempre sozinho
Continuo sussurrando para mim mesmo
Eu estou sempre sozinho.

Tarde demais, já estou tão perdido e vulnerável, que não me acho
Como posso seguir em frente, se tenho tudo para cair.

Juninho. Die

 

Revisão: Dani Ribeiro

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André Rodrigues
Bóias
Escrito por Deko

Sob um grande céu
Sobre uma gigante superfície
Vivemos todos os dias
Como bóias

Olhamos para o céu
Todos os dias..

As estrelas?
Elas nos impressionam
Todos os astros nos impressionam

Os fogos?
Tiram nosso fôlego

Os pássaros?
Quem nunca quis voar como eles?

Tudo tão belo, tudo tão lindo
Olhamos pra cima e perdemos nossa noção...

Vivemos sobre a superfície
Flutuando sobre um oceano de questões
Indo com a corrente
Andando com as ondas

Levados pela correnteza
Seguimos nosso caminho
Com o balançar da maré

Flutuamos, sempre aqui
Superfície, nada profundo
Em cima de uma profundidade
Jamais nela

Não vemos a terra, não vemos nada
Apenas água

Vivemos como bóias
Olhando pro céu, seguindo estrelas cadentes
E decadentes

Como bóias
Que jamais irão afundar na profundidade da vida
Que jamais mergulharão
Que jamais se intensificarão
Bóias que apenas boiarão sobre o imenso mar de idéias e sentimentos.

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Diego Vítor
Cego a campo aberto (soldado enganado)
Escrito por Diego Vitor

Te mandaram pra guerra soldado.
Faminto, doente e cansado!
Nenhuma bala no pente.
De medo armado até os dentes.
Emprego amado dos dementes.
A morte "honrosa" do soldado.

Civil de outra pátria.
Milito em outra guerra.
Manejo outras armas.
Almejo honra eterna.

 D1360 V170R

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Gustavo Hobold
O Dormitório
Escrito por Gustavo Hobold
O quarto vazio, cheirando a mofo. Paredes úmidas que enrugavam a vida de qualquer um. Pôsteres cobriam as talhas de madeiras e os buracos espaçosos. Não havia ninguém. Era sujo, como um porão sugeria. Sujo, talvez, por desleixo ou simplesmente por estar. Era a necessidade do ser. A maçaneta enferrujada, dobradiças mal-assombradas. Paredes negras, sujas da escuridão do tempo. A cama dividia o quarto em dois hemisférios, cada um com sua funcionalidade. Uma escrivaninha velha de um lado – com alguns livros cheios de poeira –, uma cômoda do outro. A aparência do local registrava a semelhança de uma casa do terror.

Era Natal. Último suspiro de vida na morte do dia; a árvore fazia seu papel. Embora mal enfeitada, coberta de poeira e caindo em depressão, era a única coisa que limpava o cinza do canto do quarto.

Entrou. Os vãos da porta arrepiaram a seus nervos. A rotina impossível de doze horas diárias acabara com um último suspiro de tranqüilidade, enquanto a monotonia da vida ansiava pelo recomeço de um novo dia. Roçou a barba, jogou a mochila no canto. A cama serviu de anteparo para seu esqueleto que permaneceu imóvel.

Sonhos? Não os tinha. Abstraíra-se de todos os conceitos de sucessos que poderia obter ao longo da vida, inclusive o de ser apenas mais um humano. Era pior que isso. Permanecia, a cada dia, em sua insignificância. Não tinha família; seus pais haviam morrido. Única coisa que lhe restara era o quarto empoeirado que o seu padrinho alugara em sua própria casa.

Encostou a cabeça. Não tinha o que pensar, apenas que tudo começaria novamente, a cada dia, até o fim de sua vida. Fechou os olhos. Tinha pesadelos; sonhava que não sonhava. Mas esta noite foi diferente. Uma nuvem abstrata cruzou sua mente. Viu da porta arregaçada surgir um homem e depois vários.

Uma cruz pousava sobre sua cabeça, pessoas assistiam. Pessoas que nem conhecia; pessoas que talvez jamais vira. Era seu cérebro mexendo nas aleatoriedades da vida. Seu corpo repousava sobre flores enquanto as pessoas que nunca vira o saudavam, como se por acaso tivesse fazendo algo de importante; coisa que jamais fizera.

Foi acompanhado por uma carreata até um local que já estivera em algum momento de sua vida, mas nunca havia parado para apreciar a beleza das coisas que o rodeavam. Achou lindo. Era como uma melodia em forma de arquitetura. Soava tão bem para seus olhos. Depois lembrou que tudo recomeçaria no dia seguinte; que a vida lhe prepararia mais doze horas e vários anos de mesmices.

Reconheceu que havia voltado ao seu quarto. A parede de madeira quase preta de tão podre; a agonia de viver apertado; a casa do terror.

Acordou.

Estava tudo de volta, como esperava. Mas não havia janelas. Não havia portas. Não havia arvore de natal. Não havia maçaneta enferrujada nem pôsteres nas paredes.

Rebateu-se enquanto agonizava. Gastou os últimos minutos de oxigênio que ainda lhe restavam. A vida havia lhe preparado uma cilada. Estava morto. Era seu fim. Gastou seus últimos suspiros com gritos que ninguém ouviria, nem mesmo o coveiro. Era lixo agora; comida para bactérias; adubo para o solo.

“Merecia um caixão melhor”, foi a última coisa que lhe passou pela cabeça.

E então, começou a sonhar.

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Ana Luiza Maia Rodrigues
Mamãe, sou cult.
Escrito por Ana Luiza

Particularmente, uma coisa que me intriga são as pessoas que se auto-denominam cults, que agem como se beber café fosse beber água, fumam cigarros o tempo inteiro e conhecem músicas e filmes os quais praticamente ninguém ouviu falar. Agem como se isso fizesse de alguém uma pessoa superior as outras.

Não sei qual é o proveito que pode ser tirado de se recusar a assistir filmes que todos assistem ou não gostar de bandas conhecidas por mais de cinco pessoas apenas por serem “conhecidas demais”. Talvez essas pessoas acham que aquilo que diverte as massas não seja bom o suficiente para agradar pessoas tão intelectuais com seus QIs de mais de oito mil cento e tantos. Não que eu tenha algo contra aqueles que não gostam dos famosos clichês hollywoodianos ou das bandas que são alvo da mídia nos dias de hoje ou algo do tipo, mas posso garantir que alguém que sai por aí no Orkut alegando saudades das músicas, dos filmes e da cultura da década de 60 (sendo que ainda nem pensava em nascer) não merece nada além de uma bela ditadura militar no meio da cara para aprender o que é bom.

Sair por aí dizendo que sabe tudo de Nietzsche, que só assiste a filmes iranianos e escuta bandas obscuras não faz alguém mais inteligente, só faz mais um babaca que se acha muito mais inteligente que os outros. Aceite isso.


Revisão: Daniele Ribeiro

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Maurício Fernandes
Vencedor, que nada!
Escrito por Maurício 1903


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Juninho
Assassina
Escrito por Juninho. Die

Você não ama aquilo que assassinou
Você não ama a vida que assassinou
Agora é tarde para voltar
Agora não posso mais voltar

Você é o mal, menina
O mal que tanto desejei
O mais frágil, querido, desejado
E não agressivo, sem amor, sem vida

Você não ama aquilo que assassinou
Você não ama a vida que assassinou
Agora é tarde para voltar
Agora não posso mais voltar

Você me assassinou
No dia em que acordei
E saber que preciso viver em volta disso
Você me assassinou
Pedaços de vida caem
E ninguém em volta percebe a vida atrás disso

Mas agora eu sou o mal
Não importa o que pensem
Me culpam pelo suicidio
Sumir de sua vida não me faz parar de gostar

Você é o mal, menina
Porque o que desejo me assassinou.

Autor: Juninho. Die

 

Revisão: Daniele Ribeiro