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Dani Ribeiro
Retorno
Escrito por Dani R. F.
Ressuscitei...
Como aquela que quer devorar os extremos
Ter de volta os pequenos versos
As pequenas mágoas e grandes paixões
 
Voltei...
A embriagar-me de desejos
De pensamentos insanos
E de loucuras desmedidas
 
Senti Saudades
De ver encostada em brancas paredes
De lagrimas convulsivas
E olhos borrados
Boca seca entreaberta
O espanto desatinado
Em gritos incontroláveis
Anunciando o decadente
 
Quero meu café quente
Quero deleitar-me em sonhos rústicos
aconchegar-me das noites frias
Dos ventos nórdicos
Descansando, inventando...
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André Rodrigues
A Procura
Escrito por Deko

Olhamos por todos os lados
Olhamos em direção ao horizonte

Procuramos nas ondas
Nos raios solares
Nas metrópoles

Razões....

Razões para viver
Pessoas para amar

Procuramos  longe
Algo para colocarmos perto
Procuramos por fora
Algo para mantermos dentro
Procuramos na razão
A cura para a emoção

Procuramos a luz em meio às trevas
A vida no cemitério
A explicação do inexplicável
A receita do único
A quantidade do imensurável

 

Revisão: Daniele Ribeiro

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Gustavo Hobold
Seguro ao Suicídio
Escrito por Gustavo Hobold

O homem tateou novamente o papel que carregava e fitou-o com raiva. Olhou rapidamente as cifras e os seis números que a seguiam, para, quem sabe, ter mais certeza do que estava fazendo. Andou um pouco mais a frente e olhou para baixo. Conseguia ver todo o movimento da rua, embora fosse pouco.

Chegou até a ponta com cuidado para não deslizar e, balançando o braço, olhou as horas no relógio que trazia no pulso. Oito e meia da noite, dia 21 de Fevereiro. Era esse o dia que ia constar no seu atestado de óbito.

Fez  questão de revisar novamente o papel que assinara pouco mais cedo e começou a pensar em sua família. Lembrou das dificuldades que haviam passado até ali, mas logo pensou nas soluções que o dinheiro do seguro proporcionaria a sua família. Além de colocar comida na mesa,     também lhe pagaria um túmulo decente, embora talvez nem merecesse.

Tirou da carteira a foto do filho. Olhou, chorou e as lágrimas demoraram até alcançar o chão. Lembrou de quando trocava suas fraudas, da primeira vez que andou, dos jogos de futebol, das conversas, dos parques de diversão. Mas queria sabia que estaria fazendo o bem agora, tinha certeza disso.

Colocou lado a lado a foto do garoto e a folha do seguro de vida que carregava. Num impulso, jogou-se para frente e caiu. Seu corpo afundava no ar e ele sentia que o calor escaldante já não mais fazia efeito em seu corpo. A perfuração o refrescava, os últimos momentos de sua vida o deixavam cada vez mais gelado, preparando-o direto para o caixão. Enquanto caía olhava para baixo e ora via seu corpo espatifado no chão, ora via ele dentro de um formoso túmulo com sua família chorando em volta. Mas não se arrependia.

Alguns segundos se passaram e o corpo espatifou no chão. O homem não sabia se estava vivo ou morto, mas tinha certeza de que  não estava mais ali. O seu seguro estava pregado à mão.

Em pouquíssimos minutos, a multidão começou a abafar o corpo. Uma única mulher que teve coragem de chegar perto do cadáver fechou-lhe os olhos, ou o que ainda restava, e tirou o papel de suas mãos.

Levantou-se, tirou os óculos da bolsa e leu.

“Seguro de vida. Válido a partir de: 22 de Fevereiro de 2010”.

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Mauricio de Lima Costa
Um Ex-empacotador na Merda.
Escrito por Mauricio

Eu cheguei em casa, acendi a luz
Sentei à frente do sofá, no chão
Liguei o rádio, olhei pro teto
Cansado e sujo, dormi de exaustão

Hoje eu acordei com a cara torta
Meus olhos vidrados em baixo do sofá
Junto com baratas, e o jornal babado
Levantei dolorido e fui trabalhar

Mercadoria ali dentro, coloco e entrego
Um sorriso de 'volte sempre', sempre amarelo
E no galpão com a luz fraca e clima sofrido
Olhei pro meu chefe e disse: Me demito.

Foda-se. Me demito. Eu tenho esse direito
Não quero mesmo ficar rico.. Mesmo se quisesse
Aqui não vou ficar.

Bater uma carteira.. Não.
Furtar não tem emoção.
Decidi ali que eu ia assaltar

Furto é punheta, assalto é transar.

Mas decidi dar uma de malandro
Pulei um muro e me vi na garagem
Quebrei a janela e entrei na casa
Peguei um rádio e sai correndo
ha-ha

Correndo na rua com um radio nos braços
Olhando pra traz rindo que nem palhaço

Voltei pra casa e...
Acendi a luz.

Liguei o rádio.

Liguei pro chefe. Desligado.

Sentei ali, olhei pro teto.
Cansado, dormi sujo
E desempregado...

Mauricio de Lima - 01/12/2010

http://ogrocavernoso.blogspot.com/

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Lucas
Peço a atenção de vocês um pouquinho...
Escrito por LukZ

"Meu nome é Eraustino, tenho 40 anos e gostaria que vocês ouvissem minha história, eu vim de uma família muito pobre em Tarauaca no Acre, cansado de ver meus 18 filhos e meio chorando, resolvi tentar a vida na cidade grande, fiquei 1 semana para chegar, fazia também 1 semana que não tomava banho, com a barba grande e fedendo, cheguei em São Paulo, ô cidade bonita! Cheia de gente linda, lá na minha cidade eu só tinha visto na minha vida, as 15 pessoas que moram lá, ah, tem também a vez que um deputado cheio da grana foi pra lá, disse que ia melhorar a cidade mas trouxe é mais problema… pulando essa parte, cheguei aqui pra arranjar emprego, parecia que eu estava em outro mundo, tanta gente correndo de um lado pro outro, buzina de carro, lojas e mais lojas, conheço essas coisas da revista que chega lá uma vez por ano, peguei minha mala e sai a procura de algo pra fazer, na situação que eu estava, topava qualquer coisa, ajudante de obra, catador de cocô de cachorro, qualquer coisa que me desse dinheiro pra eu ir buscar minha família e melhorar de vida, engano meu, não tinha dinheiro para alugar um quarto, dormia na rua, tentava entrar nas lojas e logo era enxotado pelos seguranças, minha barriga gritava de fome, tive que pedir dinheiro. E é isso que  humildemente estou fazendo aqui, dentro desse ônibus, sei que estão cansados pois tiveram um dia muito cheio, fazendo o que eu gostaria de fazer, mas quero que saibam que preferi pedir dinheiro dentro de ônibus do que roubar, se eu roubasse eu desgraçaria minha família, eu estou com fome, estou fedendo, com as roupas rasgadas e peço de coração para me ajudarem com qualquer quantia, eu não uso o dinheiro para beber, eu não digo que não bebo, eu bebo sim, pra me aquecer, mas não sou bêbado, mas eu tenho 20 filhos pra criar e não sei mais o que fazer, estou desesperado, se não puder ajudar, que Deus os ilumine do mesmo jeito, mas me ajuda por favor!"

esmola


Esse é o assunto que resolvi postar, esmola nos ônibus, devemos acreditar nas histórias que nos são contadas? Todos os dias vemos pessoas má-vestidas, olhares desesperados, pensamentos alterados, não sabem mais quem são, pra onde vão e de onde vem, só sabem que tudo que precisam, é do maldito dinheiro, para se alimentar, se aquecer, sobreviver. Muitos tentam ao máximo manter sua dignidade, tentam se reerguer, até que o desespero toma conta da razão e ele encontra somente dois caminhos, pedir ajuda aos desconhecidos ou roubá-los, felizmente eles preferem encher nossas paciências, com o mesmo discurso de sempre, para arranjar o dinheiro que pague o único pão do dia. Mas infelizmente, muitos outros abusam da bondade que temos dentro de nós e inventam histórias semelhantes, com malícia nos olhos, pedem para o motorista liberar a passagem que ingênuamente, mesmo sendo proibido em alguns lugares, permitem, a pessoa se dirige ao seu lugar, chama por todos e começa o texto decorado e tocante, passageiros também ingênuos, abrem suas bolsas e carteiras, lhe dão nem que sejam 5 centavos, mas saem de lá com a consciência limpa, dever cumprido, “ajudei alguém!”, é, ajudou o infeliz rapaz ou moça a comprar a bebida que não necessita, mas pensa que sim, a financiar aquela droga que só usa pra chamar a atenção dos pais que segundo ele, não lhe dão atenção, ou simplesmente por nada, pra ele descer do ônibus com um dinheiro daqueles que para eles, são burros e ignorantes. Pessoas assim pegam os lugares daqueles que realmente necessitam para sobreviver, para que consigam se levantar e achar um caminho melhor para si.
Quem são os farsantes, quem são os honestos? Meu dinheiro está sendo bem “doado”? Por causa disso devo evitar de dar meu dinheiro para eles?


Perguntas essas que cada um terá sua resposta, cada um achará o que fazer na hora. Prestar atenção no que falam e sentir se é real ou não. Eu ajudo quando posso, ou quando me convém, para muitos isso é errado, tem que ajudar sempre não importa a quem, para outros não deviam ajudar a ninguém, pois ninguém os ajudam, não faço para entrar na % dos que ajudam o próximo porque viram que isso é legal de se fazer porque fazem na novela e sim porque para mim aqueles que ajudo necessitam, errei algumas vezes talvez, mas eles sabem o que fazem.

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Diego Vítor
Penso, logo Deus existe!
Escrito por Diego Vitor

 “Um grande problema é que as pessoas querem ver o som e ouvir a cor, mais o sentido não se adapta a isso”

Eu não ouço uma cor, eu não toco em um som e muito menos vejo um sabor, embora a minha mente crie o que seria o gosto de uma “laranja” quando vejo uma. Passo a vida ouvindo sons que não são notados pelos meus olhos e nem um cheiro surge deles. O meu olfato não os percebe, mas os meus ouvidos os provam.
 
Coisas que eu não vejo, que não ouço, que não posso tocar e nem sei qual o sabor fazem parte do meu dia, e são tão reais quanto as coisas visíveis. Eu não vejo o amor, eu não vejo amor algum! Eu vejo atos de amor a todo instante, mas o amor não me entra pelos olhos e o que vejo apenas reflete o sentimento que tenho em mim, e isso passa a ser a parte visível do que então seria o amor.
 
Eu digo que Deus existe... Você diz que só acredita vendo.
Você só esta vivo porque tem oxigênio em seus pulmões. “Ar”, simples e invisível ar. E se você me diz que só acredita vendo, eu lhe peço que não acredite que a sua “valiosa” vida depende de algo que você não vê e então deixe de respirar daqui para frente.
 
Eu não vejo Deus, eu sinto Deus. Eu digo que Deus existe... Você diz que não sente Deus.
Você só está vivo porque além do ar que você respira, você também se alimenta. Não é necessariamente preciso enxergar ou ouvir para se viver, correto? Não é necessário sentir o gosto para se fartar de um alimento, embora assim fique bem mais difícil comê-lo. Você me diz que não sente e não acredita em Deus e que nem por isso você vai morrer, e eu concordo (em parte). Muitas pessoas não sentem amor, muitas pessoas não sentem as próprias pernas, muitas pessoas são cegas e surdas e isso também não as mata.
 
A minha mente não depende dos meus olhos para funcionar, mas os meus olhos nada veriam sem a minha mente. Logo, o que eu vejo com a mente vale mais do que eu vejo com os meus olhos.  

Diego Vítor

http://pensologodeusexiste.blogspot.com/

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Revisão: Daniele Ribeiro

 
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Diego Vítor
Cl...amor!
Escrito por Diego Vítor
Qual o valor de uma vida sem o amor?
Se de fato houve vida não houve valia.
E o valor do amor em si?
Esse sim valeu de verdade.

Mas sem verdade não vale,
sem valor já não presta.
sem amar, o que resta?
sem amor não se vive, vegeta.

D1360 V170R

Revisão: Daniele Ribeiro