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Fernando Fantin Vono
Das Movimentações Humanas
Escrito por Fernando Fantin
Entre sete espaços proibidos
Seguindo à seco esperanças mórbidas
Moribundos rebentam sorrateiros
Trabalhando, trabalhando, trabalhando
Quando dá

Uma sucessão de episódios se deu
Qual foi o primeiro, qual o segundo
Vimos passar, por tanto tempo
Imigrantes da falta e do excesso
Caldo azedo que deixou rastro
Pela caminhada mal quisto
Atrapalhando planos de plantio
Foram-nos, ficando

Pouco importou a porta que ficou aberta
Não olha pra trás menino
Seu lugar aqui não é
E o nosso, onde será?
Seguimos este caminhão?
Por aqui ou acolá?

Construções se erguem infinitas
Cimentadas a suor barato
E saudades salgadas que o sol não queimou
E tanta, tanta, plantação e fome
Que não tá no mapa

Rejeitaram-nos lá, aqui com mais violência
Costumávamos cantar, se lembra? E agora?
Quiçá a alegria sempre promessa,
Mas também enganação

Não somos de canto algum,
não temos casa nem nação,
são só nomes, entretanto
somos, somos só ...
esquecimento em valas do trajeto
tanto melhor
que os trejeitos se condenam no concreto
na única concretude de mortes numericamente comunitárias
partilhando as únicas coisas que de graça são,
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Fábio C.
"Quando compramos algo, pagamos com o tempo de vida"...
Escrito por Fábio C.

 
É  preciso criar mundos de felicidade com poucas coisas, com sobriedade. É preciso viver com bagagem leve e não escravizado pela renovação consumista permanente, que obriga a trabalhar, trabalhar e trabalhar para pagar contas que nunca terminam. Não se trata de uma apologia da pobreza, mas de um elogio à sobriedade.
 
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Samira
Encontro
Escrito por Samira Assis

encontro

Encontrei-te na margem
Na espuma do meu café
Encontrei-te no parágrafo
No fundo do espelho
Encontrei-te sem mim
Deitado no ventre
Num outro ventre
Ou no tapete
Calado.

Encontrei-te no ensaio
Num quinteto de sopros
Cordas, martelos
Encontrei-te na cadência
A minha preferida
Encontrei-te em coisas tão minhas
Em poemas tão meus

[Amar quem não nos ama
Encontrar quem não nos encontra
Esconder a face
Mergulhar em vergonha
Em entulhos de culpa
Que vira overdose de arte]

Encontrei-te na tempestade
Esperando o táxi
Escorrendo no guarda-chuva
Fugindo de encontrar-te
Encontrei-te em meu sonho
Na minha página preferida
Na minha afinação
Encontrei-te tranquilo
Descansando no meu ódio

Encontrei-te e não queria
Naquela grande fila
Encontrei-te nos olhos do atendente
Nas mãos inexperientes
Nas cortinas do teatro

Depois encontrei-te sarcástico
Rindo do meu poema
Das mãos trêmulas
Das notas falhadas
No piano desafinado
Aplaudindo o fracasso

Encontrei-te...
No meu suspiro...
No meu amor solilóquio.


(Samira Costa de Assis) 
 

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Manoelle
Âmago
Escrito por Manoelle D'França

wild flower1
Wild flower por Aleksej Polyvyanyj


Às vezes, onde selvagem vento sopra,
há mais calmaria que tempestade.
Onde não há batimentos,
é que o sentimento pulsa de verdade.
Onde um sorriso acorda,
é que a dor aflora.

Por vezes, quando se cala
é quando mais se tem a falar.
Quando se chora,
é que o sorriso mais deseja brotar.
Às vezes, quando se vê,
é quando menos se quer enxergar.

Em alguns momentos,
quando dizem ser impossível,
é quando mais se quer alcançar.
Quando alguém se perde,
nem sempre quer se encontrar.

Quando a estrutura desaba,
nem sempre há forças para reconstruir.
Mas quando o mundo parece estar se desfazendo
é que se começa a perceber
que mesmo dentre pedras
mudas podem florescer.

Manoelle D'França | Maphago

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Marisa Oliveira
O Novo Ciclo
Escrito por marisa no céu
 novo ciclo
Unstable - Alexandra Levasseur

volto a escrever
- coisa que, na verdade, nunca parei
mas volto a escrever
com vontade de concluir
e, alguns, publicar
... e volto a desenhar
a rabiscar
a pintar
com mais vontade de colorir
e doar todos

volto aos pranayamas
principalmente aos ásanas
aos mantras e incensos
recondicionamento
retomar a flexibilidade
equilibrar dentro de tanto contraste
buscar sanidade
- ou rebuscar a sanidade
(sei lá.)

volto às cordas e ao canto
caí de novo nesses encantos
como era aos 16
 - e nostálgica como Conversation 16
mas meus dedos nunca perderam seus calos

volto a sentir certa tristeza
e lidar com ela com a mesma destreza
tento até transformar em algo bonito
sem choro, sem grito
e me descubro mais forte de novo
e de novo, e de novo

enfim, tudo mudou
mas nada mudou
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Manoelle
Borrões de mim
Escrito por Manoelle D'França

borroes

Crash, por Silvia Pelissero

 

Quem era eu?
Outrora fui cores
aromas
sabores
de aura forte e vívida
corpo são
e mente híbrida


Hoje não mais sou
hoje eu era
ontem eu seria
tanto queria
pouco sabia

Vi minhas cores espalhadas
por onde vim
pensei ser aquarela
mas eram borrões
borrões de mim
de volta aos rascunhos 
de minhas certezas
extinguindo-me
morrendo em mim mesma


Desfazendo-me
em tons negativos
perdendo meus sonhos sensitivos
transformando-me em graxa
em piche
não peixes em lívido cardume
apenas piche
betume


Tornando-me estrada
tornando-me a estrada
em que muitos passam
e nunca param
nunca procuram as cores
sobre as quais caminharam.


Manoelle D'França

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Fábio C.
O Hiper-realismo de Ron Mueck
Escrito por Fábio C.

ron mueckRon Mueck é um escultor australiano hiper-realista que ultiliza efeitos especiais cinematográficos para criar obras de arte. Embora altamente detalhadas, suas esculturas geralmente eram feitas para serem fotografadas a partir de um ângulo específico, escondendo assim a bagunça da construção vista do outro lado. Aperfeiçoando suas técnicas cada vez mais, hoje Mueck criar obras cada vez mais realistas, perfeitas de todos os ângulos.

A reação perante uma obra de Ron Mueck é de um espanto seguido por uma admiração instintiva (que se dá pela possibilidade de examinarmos os pormenores dos corpos humanos). Será o autor um artista ou apenas um excelente artesão? É o próprio quem se coloca à margem desta polêmica: "Jamais quis ser um escultor. Não sei bem porque faço isto, mas não me imagino a fazer outra coisa. Não me considero um artista, isto é simplesmente a única coisa que sei fazer".

Confira algumas de suas principais obras:

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