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Manoelle
Memento mori
Escrito por Manoelle D'França

AVISO: Evite ler se estiver instável emocionalmente e/ou se a morte for um tema desconfortável.

 



Death, por Poudot


Penso muito na morte. O descanso absoluto, o livramento contra todo mal. Já estivemos muito perto uma da outra e ela até me olhou nos olhos, mas nos despedimos sem dizer palavra. Quando eu ainda era uma criança, ela se sentou ao meu lado na cama, tocou meu rosto e me fez dormir, mas não me levou consigo.

Penso muito na morte, até com certo encanto. Morrer é a volta ao topo predecessor ao mergulho, o retorno ao estado de não-existência. Você se lembra de como era não existir? A salvo da maldade e da vulnerabilidade; não padecer, não sentir, não ser, não estar. Imunidade à humanidade, é como reconheço a morte. A cura universal, a libertação.

Decerto que ninguém quer ser assassinado, torturado ou vítima de uma doença agonizante e letal, mas a morte chega de inúmeras outras maneiras e é algo inevitável, indefectível. Ela chegará para você e para mim, bem como para qualquer outro organismo vivo. Eu prefiro encarar a morte como algo natural — o que ela, de fato, é. Morrer é apenas consequência de estar viva; uma fase; a última etapa do ciclo da vida; o epílogo de nossa história. Tudo é finito e isso é a melhor e pior coisa do processo humano de existir.

Diferentemente dos outros animais, somos dotados de uma capacidade chamada consciência, o que nos torna predadores prepotentes, egoístas e covardes; ou presas empáticas, altruístas e simplórias. E, naturalmente, a consciência também nos torna incapazes de compreender o conceito de fim e eternidade. Para a mesquinha e jactanciosa mente humana, o fim é algo inconcebível, principalmente o fim de si mesma. Bem como a ideia de que algo possa sempre ter existido, sem jamais ter tido um começo, excede nossa racionalidade. Recorre-se a toda sorte de cultos e credos a fim de suplantar a ideia de que nós também morremos. Findamos. Acabamos de vez.

A morte é um acontecimento necessário e do qual nenhum de nós escapará, não importa o quão superiores achemos que somos em detrimento de outras espécies animais. Todos nós retornaremos à não-existência, e eu mantenho isto em mente. Lembre-se de que um dia você morrerá.

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Fábio C.
Bauman - Vigilância Mútua
Escrito por Fábio C.


"Todos nós estamos em competição potencial uns com os outros. E é isso que cria a atmosfera de guerra: nada é certo, nada é seguro", sintetiza o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Confira a entrevista completa do humanista ao 
Observatório da Imprensahttp://ebcnare.de/1k9Ngp2
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Marisa Oliveira
Do amor até então
Escrito por marisa in the sky
 
(Under the Red Umbrella - Leonid Afremov)
 

feito chuva,
vem, me agrada,
e de repente pára

feito dito popular
um para substituir outro,
madrepérola e ouro de tolo

feito macarrão instantâneo
te amo até amanhã
te amo só de manhã

feito desfeita
sei lá em que tomada estamos
sei lá o que do amor esperamos

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Ramon Bernardo
Filosofia Mortal
Escrito por Ramon Bernardo

alt
Há um raio de tristeza em mim. Por mais que tente chegar ao claro, esse raio, ele me torna ao escuro. Há dores em cima do muro. Há um morto dentro de mim. Eu queria sentir a vida de novo.

Mas por que eu preciso senti-la de novo? Sou eu um escravo? Sou. Sem dúvidas sou.

Somos todos. Esse é o atual modo de vida. A inércia moderna de seguir em frente. Conte-me o que você quiser. Cante-me, encante, minta. Use sua filosofia, toda ela. Mas no fim, você concordará comigo que essa vida tal qual segue, não passa de um ciclo simples de dor e amor, se é que sabemos a diferença entre eles.

Diga seus sonhos em voz alta, e não use eufemismo, por medo das pessoas ouvirem seus planos. Grite a verdade. Disfarce seu pleno egoísmo com os gritos.

Somos mortos. Por que viver não é isso. Vida não é seguir. Isso é existir.

Se você se sente cansado pode ser difícil acreditar que a vida recebe suas gratificações. A morte é menos dolorida.  Menos agitada. Parece, ao menos. Ledo engano. Morrer é pular de um estado de morte para outro.

A morte me atrai.

Não a morte física, orgânica. A morte salvação. A morte liberdade.

A morte que me tira deste estado de decadência, e me põe em estado de decomposição de ideias. Eu quero indagar. Derrame em mim um pouco de devastação. Mate-me em meros segundo e me deixe livre para a eternidade.

Só os verdadeiros filósofos podem assim proceder. Filosofia de verdade, não pena de morte em vida.
 

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Fábio C.
Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo) vs George Orwell (1984)
Escrito por Fábio C.


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Manuella Costa Pires
"É mística, musical e espiritual"
Escrito por Manuella Costa Pires


Foto: Melvin Quaresma

Aquilo que se esconde
quando aparece, está camuflado
passa despercebido aos olhos distraídos

Seu domínio exige paciência, harmonia, vontade
Transcende lentamente, é mística, musical e espiritual

Despertar pela busca, entender que ela nunca vai ter fim
Olhar para dentro e descobrir o sentido de tudo lá fora
Perceber os defeitos, os anseios e potencializar as qualidades

Benefícios dessa energia
canalizada, transforma aqui, ali e acolá
altera os rumos
leva até para Paquetá

Revigorante como o nascer do sol
é bonita para bons apreciadores
os dispostos a acordar cedo
que vislumbram um belo espetáculo

contínuo, artístico, sensitivo, equilibrado
como resultado
paz

http://devaneiosdamanu.blogspot.com.br/

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Afonso Sauniére
Erotografomania
Escrito por Afonso Sauniére
         
         Quando eu saio assim na chuva pra caminhar, até tento te sentir nos pingos que escorrem do meu rosto. Mas parece meio inútil toda essa caminhada e pensamento que quase nunca leva a nada, exceto à uma tristeza mórbida, porém não letal. Eu volto pra casa e fico vendo da janela o céu desabar e derreter em águas que fugirão pra algum lugar. E eu lembro da chuva que a gente nunca tomou junto. Lembro da briga que a gente nunca resolveu, do disco que a gente nunca ouviu e das ruas por onde nunca caminhamos. O vento, suficiente apenas para balançar o cabelo, é demasiado pouco pra quebrar a janela e me fazer fechar os olhos. Porque se eu fecho os olhos por conta própria, meu mundo vai direto pro teu e nem sequer pensa em voltar. Na realidade, eu só queria uma notícia tua, um sinal de vida, um aval de que o tempo ainda não me apagou aí de dentro. E eu também podia confessar um milhão de coisas nessas minhas cartas. Eu podia te mostrar em desenhos e gráficos a constância do teu nome em cada pedaço do meu âmago; eu podia explicar a relação entre os meus olhos e os teus, provando por A+B que nada me é tão elétrico quanto os sons da tua voz. Eu podia confessar que te ter ao telefone é como ver o tempo parar e que, na hora de dizer adeus, o choque da realidade seguinte é doloroso. Meu dedo e o botão de desligar se repelem como se tivessem pólos iguais, mas é tudo vontade do eterno, de continuar te ouvindo. A gente tem essa mania de eterno, de querer que tudo dure mais tempo do que na realidade é pra durar. Eu...
         Eu só queria saber se teu olhar ainda se fixa no céu, se tua lembrança de mim ainda mexe em alguns nervos. Na verdade, confessar é se expor ao extremo. Sabe aquela ave que constrói um ninho enorme na árvore de galhos secos e tronco longo? Confessar é aquele ninho com os ovos expostos lá em cima aos gaviões. Mas confesso que muitas confissões são apropriadas, embora eu quase nunca saiba discernir quais são. As cartas são só confissões e minhas confissões são mais baratas que batata no camelô de centro baiano. Confesso, no entanto, que de todas as cartas que já escrevi, ainda tenho uns quatro dicionários pra te contar.