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Ederson Oliveira
nota sobre fotografar a natureza
Escrito por Ederson Oliveira

Quanto mais a civilização se desenvolve, menos nós nos sentimos pertencentes ao planeta em que habitamos. A distância entre o mundo natural e a humanidade cresce na mesma proporção em que as telas pelas quais vemos a vida aumentam. Conexão nos remete muito mais a redes de compartilhamento de internet do que ao pertencimento ao ciclo em que todos os seres vivos estão ligados. Curiosamente, o próprio desenvolvimento tecnológico me deu os maiores instrumentos de reconexão que eu já conheci: um sensor, um corpo e um conjunto de lentes.

 

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Anuro fotografado na Reserva Ecológica de Guapiaçu, Cachoeiras de Macacu (RJ). Por Ederson Oliveira.

 

Fotografar a natureza é um exercício de dupla sensibilização. Eu me sinto imerso quando estou no meio da floresta, fazendo imagens, sendo só mais um animal isento da prepotência humana. Meus conceitos morais e valores construídos no convívio social não representam nada para a vida que me circunda ali. Ao mesmo tempo, tudo que é registrado serve para levar pílulas dessa sensação ao resto das pessoas. Cada registro é uma oportunidade de levar o meio da floresta pra quem não está lá.

 

 

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Vista do amanhecer no Pico do Papagaio, Ilha Grande (RJ). Por Ederson Oliveira.

 

Uma foto pode lembrar a quem já esqueceu que existe um mundo onde a cor não é cinza, onde o julgamento não existe e onde o tempo não está com pressa. A imagem é, potencialmente, instrumento de sensibilização e convite para reconexão. Aquele velho clichê (e eu acredito no poder dos clichês) já dizia: a gente só protege o que conhece.

 

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Fungo fotografado na Reserva Biológica União, Casimiro de Abreu (RJ). Por Ederson Oliveira.

 

 

Vamos fotografar?

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Fábio C.
O Hiper-realismo de Ron Mueck
Escrito por Fábio C.

ron mueckRon Mueck é um escultor australiano hiper-realista que ultiliza efeitos especiais cinematográficos para criar obras de arte. Embora altamente detalhadas, suas esculturas geralmente eram feitas para serem fotografadas a partir de um ângulo específico, escondendo assim a bagunça da construção vista do outro lado. Aperfeiçoando suas técnicas cada vez mais, hoje Mueck criar obras cada vez mais realistas, perfeitas de todos os ângulos.

A reação perante uma obra de Ron Mueck é de um espanto seguido por uma admiração instintiva (que se dá pela possibilidade de examinarmos os pormenores dos corpos humanos). Será o autor um artista ou apenas um excelente artesão? É o próprio quem se coloca à margem desta polêmica: "Jamais quis ser um escultor. Não sei bem porque faço isto, mas não me imagino a fazer outra coisa. Não me considero um artista, isto é simplesmente a única coisa que sei fazer".

Confira algumas de suas principais obras:

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Fábio C.
13 Fotos Historicamente Curiosas
Escrito por Fábio C.
 
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Chegada da Mona Lisa ao Museu do Louvre, logo depois da II Guerra Mundial.
 
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Uma praia da Austrália, em 1900.
 
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Segregação racial no sul dos Estados Unidos.
 
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Um dos primeiros McDonald's.
 
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Um carro no ano 1900.
 
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Hugo Gernsback e seu televisor portátio, em 1963.
 
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Charlie Chaplin com 27 anos, em 1916.
 
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Fidel Castro uma sua escola católica, em Santiago de Cuba, 1940.
 
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A rainha Elizabeth durante o serviço militar na II Guerra Mundial.
 
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Martin Luther King e seu filho removendo uma cruz queimada que membros do KKK (Ku Klux Klan) deixaram em frente a sua casa, em 1960.
 
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Os Beatles no início da cerreira.
 
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Filmando o leão para a clássica logo da MGM
 
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O último Tigre da Tasmania, 1933.
 
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Ederson Oliveira
Rock. Precisa dizer mais?
Escrito por Ederson Oliveira

Nunca fui o mais bonito, o mais inteligente, o que se destacava nas aulas de educação física ou aquele que tinha dezenas de amigos. Também não era aquele que conversava com todo mundo da turma, sempre fui mais introvertido. Não me identificava com as músicas que tocava na maioria dos lugares que as pessoas iam. Minhas roupas jamais foram aquelas que todo mundo estava usando, é conforto e pronto.

Acho que por isso tudo o rock cruzou o meu caminho. Ele não vende a imagem de que é preciso ser popular, bonito e estar na moda pra viver, pelo contrário, cada um deve ser aquilo que quer ser de verdade. Ele se tornou uma espécie de válvula de escape pra toda essa mediocridade que a gente vê por aí. Por mais que a realidade estivesse ao contrário do que gostaríamos, ele sempre estava ali pra me fazer esquecer (ou pensar!). Me fez criar amigos que nunca imaginei (ou vi), abriu horizontes.

O Rock vem mudando a cara do mundo, da juventude e da cultura, deixando marcas onde quer que passe. Ouvir rock é dar valor ao seu ouvido, ao seu cérebro, à sua capacidade de ver na música algo a mais. É usar as letras para apurar seu senso crítico e saber filtrar essa quantidade de bobagens que chegam pela televisão, rádio ou internet. É se contagiar com o espírito de mudança, de saber que qualquer objetivo exige que você corra atrás dele. Não é ouvir só rock, nem é encher o saco de quem ouve outra coisa, é cumprir uma exigência própria de só gostar do que realmente desperta o seu interesse.

A história do rock começa com um grito: o grito do negro, que veio para a América como escravo e influenciou a sociedade norte-americana com a sua musicalidade. Os principais atingidos pela revolução sonora do rock’n’roll foram os jovens, inicialmente nos Estados Unidos e depois no mundo todo. Nos primeiros anos da década de 1950, estes jovens se encontravam em meio a disputas entre o capitalismo e o comunismo (a guerra da Coréia em 1950) e a uma valorização do consumismo, da modernização, fruto do progresso científico gerado no pós-guerra. O rock’n’roll, afinal, surgiu na América como um movimento da contracultura, visto que suas primeiras manifestações eram contrárias aos valores até então veiculados. Impossível ouvir o coro à capela de Love Of My Life no Rock in Rio (aqui) e não se emocionar, ou não pirar com a introdução de Sweet Child O’ Mine (aqui) no talo, ou ainda não tocar uma guitarra imaginária em Smoke On The Water (aqui) e cantar Exagerado (aqui) com Cazuza a plenos pulmões.

Gosto de ouvir uma canção e me sentir provocado por ela, instigado, animado, emocionado. E não tem estilo que melhor faz isso. Citar todas as bandas incríveis que embalam a vida seria fazer uma lista enorme... São músicas que marcam toda uma vida, a história de gerações. Basta lembrar que os melhores momentos da minha vida foram ao som de rock n’ roll. Um riff incrível é capaz de despertar coisas que a gente nem sabia que existiam. Uma letra pode mudar a forma como você vê o mundo pelo resto da sua vida. São referências, ícones, estilo de vida, círculo de amizades. Vai além de conceitos formais e banais. "It's not a problem you can stop, It's rock n' roll" (Garden Of Eden - Guns N' Roses). Dia 13 de julho, Dia Mundial do Rock. Dia de quem quer mudar o mundo, mesmo que esse mundo não veja essa capacidade neles.

(http://etenhoditoblog.blogspot.com/)

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Fábio C.
O Olho do Século XX
Escrito por Fábio Carvalho

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Poucos são os que conseguem enxergar no trivial uma imensidão de riquezas e significados. Registrando imagens em diversas partes do mundo, Henri Cartier-Bresson revolucionou o universo da fotografia, tornando-se uma inspiração e um exemplo de profissional: seu olhar sobre os fatos e o cotidiano mudou a forma de se registrar uma imagem através das lentes de uma câmera. Bresson não se detinha diante do óbvio: com uma percepção aguçada via mais além, chegando a esferas muito mais amplas de significados.

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A fotografia como uma experiência visual está fortemente sujeita à interpretação individual, podendo conter inúmeros significações que permitem o surgimento de fragmentos de experiências de todos os meios de expressão.
O vídeo abaixo mostra um pouco do primoroso trabalho realizado pelo ilustre fotógrafo, vale a pena conferir.


Fico desapercebido quando passo desapercebido. A fama é muito pesada."

Um mestre modesto. Henri Cartier-Bresson faleceu em 2 de agosto de 2004, aos 95 anos, mas sua obra continua viva como memória de uma época retratada brilhantemente pelo artista inato e único que é considerado "o olho do século XX".

O importante é o olhar, mas as pessoas não olham...”

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Com a digitalização do processo fotográfico e a popularização dos equipamentos digitais (câmeras, celulares, etc.), o ato de fotografar passar a ser um "simples apertar de botão”. O uso da fotografia na Internet alterou a forma das pessoas se representarem: registrar momentos se tornou verdadeiros espetáculos do meio virtual, principalmente para exposição nas vitrines das redes sociais. De acordo com o escritor francês Guy Debord, “a espetacularização das imagens no mundo se realiza no mundo da imagem autonomizada, no qual o mentiroso mentiu para si mesmo”. Hoje, contemplar uma boa fotografia é questionar se foi ou não manipulada por algum software, o que dificulta a distinção entre o real e o virtual. Enfim, também conseguiram banalizar fotografia.

Referência:

DEBORD, Guy. A
sociedade do espetáculo. Tradução Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 1999.
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Fábio C.
Arte ou Artimanha?
Escrito por Fábio Carvalho
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“Banksy”, esse é o pseudônimo do artista grafiteiro e ativista que espalha “obras de arte” em paredes sujas e velhas fachadas das cidades de Bristol e Londres. Em uma composição de traços característicos e contextos provocantes, ele demonstra sua capacidade de retratar cenas e fatos cotidianos que boa parte da atual sociedade anestesiada prefere não enxergar.

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“A beleza em meio à sujeira”, isso me reporta a um mundo moderno, aberto e globalizado, em que o homem é a medida de todas as coisas e o problema de muitas delas. Celebra-se a mobilidade imergindo em uma disputa totalmente individualista na qual o sucesso não é consequência: é lei. Provocações ou questionamentos? Até onde sei, as críticas de Banksy são direcionadas aos nossos inimigos invisíveis, aqueles que operam sucintamente, nos tornando livremente determinados por instâncias inconscientes de mecanismos de classes e poder.

Algumas significações não são oferecidas de maneira clara e objetiva, nem mesmo pela cultura, religião ou pelos mitos, algumas dessas significações poderiam, inclusive, gerar incômodos ao “deturpar” conceitos de autoridade e poder muito bem cravados na sociedade, levando à tona reflexões indesejadas... Nesse contexto que emerge a arte de Banksy, utilizando como fonte de inspiração os valores existentes e sucumbidos, discorrendo sobre um mundo real, provocando a atenção através de obras verdadeiramente questionadoras.

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Protesto, afirmação, mistério, notoriedade: criatividade. O social exposto de forma clara; críticas que geram incômodos e concordâncias. Talvez um sorriso seja a primeira reação na contemplação de suas obras e, talvez, seja esse o objetivo de Banksy: provocar o riso reflexivo sobre situações que provocam choro em uma sociedade que suprime reações de sensibilidade porque está literalmente anestesiada, anestesiada por sujeitos que estão cada vez menos estimulados a pensarem como sujeitos que modificam e constroem o mundo em que vivem.

“Agir é escolher uma direção para onde ir e contra quem ir...”

 


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Fernando Fantin Vono
Silhueta de Mulher
Escrito por Fernando Fantin

Apontava na esquina, distraída aparecia, carecia explicação, ninguém ouvia, se calhar amanhecia, era madrugada e parecia que já ia, permitir a luz do dia, a visão da silhueta, da mulher, a fantasia. Tem dessas coisas o ser humano, de ficar perambulando por aí, depositando anseios, expectativas, em coisas fugidias, em vislumbres distantes, que pouco de si mostram, que muitas vezes nem arrepararam no embasbacado, mas está ele lá, projetando não se sabe o quê, mas sobretudo esperando. E quem de humano sabe, sabe que não precisa muito, só um vislumbre, e aí vem o apego, apego ao nada dirão os céticos. Mas como haveria de ser nada, se tanta impressão causou. E o fluxo de pensamento segue, vagueia ininterrupto, abrupto é perturbado pelo automóvel, retorna a caminhada, retorna o solilóquio, refuta o pessimismo, repensa a trajetória, calcula o dia, que a mulher há de retornar ao mesmo lugar, se é que não estava só de passagem, mas a hipótese não combina aos sonhadores, não combina a apaixonados que não poderiam suportar tal sorte. Mas que sorte, se as probabilidades estão todas contra ele, de se apaixonar por, pouco mais que uma sombra, mas quem ouse vir com matemáticas em horas como essa, cada um que sabe o que mais conta em seu próprio cálculo, cada um que segue como pode, e com o que precisa. E ela, se passou esse horário, haverá de passar amanhã também, ou então na sexta, porque às vezes ela trabalha em dias alternados, se estava a trabalhar. Mas a reconheceria, de qualquer forma me lembraria. E vagueia e chega em casa, e não pensem que se esqueceu, acusa o espelho sorridente, essas coisas são transparentes, principalmente a quem é tão acostumado a existir para refletir o que se vê e o que não, sabe de ti melhor que tu mesmo, aceita o conselho, ouve. Prudência, não se encante demais que nunca mais há de vê-la, depois fica aí jogado, sem vida, tudo por ficar procurando chifre em cabeça de cavalo. Achá-la-ei tu verás, que tristeza é ficar de conversa com um espelho velho. E as coisas seguem assim, só os homens sabem dessas coisas da cabeça, ou do coração, diriam em outros tempos. E que se saberá das mulheres, o que é que pensam, como tudo se dá. Não o saberá o homem que conversava com o espelho, não é filósofo, não é mulher, dirá apenas que era linda, mas diremos a ele que louco está, não dava para se ver nada aquela distância e naquela escuridão, Ele insiste, era linda, quando era apenas, uma silhueta. Diremos a ele, desconfio que não nos dará ouvidos.

 

Por Fernando Fantin Vono

Texto publicado na revista Asterisco, ANO 1 - MARÇO 2011 - Nº 1. PET-Letras UNESP Araraquara

Originalmente em:
http://resistenciacotidiana.blogspot.com/2010_10_01_archive.html

 

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Eduardo S.
Vestígio Shakespeariano: Aquarela poética!
Escrito por Eduardo S.

- Oh! Escritor da angustia. Quando tu perdeste o tino da bondade? Do escapismo doentio... impregnado em tua linguagem. Escrita por teimosia, ora em loucura, ora em vaidade.

- Oh! Meu amigo. Como eu poderia em desejo, guardar essa maldita data. O enterro da minha escrita, e também da minha fala. Sei de minha velhice: injustiça inevitável. Paralela ao desapego, vestindo minha desgraça.

- Cruel razão voraz, motivo de tais verdades. Sinuosas como o tempo, poemas da insanidade. Trocaria o meu viver, prazer... tranquilidade! Por um novo tingir de papel teu, em proveito da humanidade.

- Agradeço o teu apreço. Pena, agora já ser tarde.  É triste sentir o frio exalando dessa carne. Escuto, pausadamente...  O parir da Liberdade. Oh, Senhor! Por que me rouba aos poucos, se sobra menos da metade.

- Cabisbaixo e infeliz. Despeço-me de ti agora. Saiba que descontente, a poesia também chora. Não é Fácil dizer Adeus quando um poeta vai embora.

(...)

Poetas Não São Feitos de Tinta. Por Quê?

 


 

Eduardo Siqueira

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Fabiano
Tempos Modernos
Escrito por Fb
Composição: Lulu Santos

Eu vejo a vida
Melhor no futuro
Eu vejo isso
Por cima de um muro
De hipocrisia
Que insiste
Em nos rodear...

Eu vejo a vida
Mais clara e farta
Repleta de toda
Satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão...

Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...

Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não, não, não...

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...

Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...

Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não...

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há prá viver
Vamos nos permitir...

E não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...

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Um dia irei escrever coisas assim também !