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Fernando Feio
Concreto
Escrito por Fernando Feio

o concreto é meu braço
o concreto são minhas pernas
e minha cabeça.

A gente tem que ser resistente nessa vida
por toda a pixação, as garrafas quebradas
o vômito na madrugada e as transas na parede

O soco de raiva, as lágrimas de decepção
por tudo aquilo que eu vejo e que eu vivo
pelo que me é importante.

Por todo o asfalto que já andei sobre,
todas as faturas de cartão de crédito
que eu me mato pra pagar.

Pelos sonhos que não deixam de ser sonhos
e os fins de noite em que eu me encosto na
parede sorrindo feliz porque alguma coisa deu certo.

Por viver todas as sextas, sábados, domingos,
feriados e carnavais, porque todas as amizades e
histórias se forjam nesse processo.

Por cada enquadro, garrafada na cabeçaa e chute no saco,
cada mata leão que eu tomei e pedido de desculpa que eu já fiz.

Eu já sou parte disso, eu sou isso.
Sou cada pôr do sol e cada nascer do sol.
Por todos os mometos, sóbrios ou de embriaguez.

Pela planta improvável que cresce contra as
estatíticas num muro pintado de amarelo

Por tudo isso e o que mais for escrito de histária
nesse mar de tijolo e todo resto que não foi mencionado aqui.

O concreto
não é que seja perfeito
mas algo de bonito tem.