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Ramon Bernardo
Musicalizar-se

Esquece-te um pouco as dores,
Arrisca os acordes de DÓ!
Se te é preciso, voltar em macha-ré
Não esquece-te de MÍ
 
Há sempre um FÁ, um fazer que me agrada.
E se te falta luz,
Se inspira no SOL
Que nada cobras, mas ilumina a todos.
 
Encontra no LÁ o teu lar,
E repousas SÍ estiver muito cansado da vida.
 
Enbarque no Buarque,
Usa e abusa, de Cazuza.
Mas não te esqueces, que música
Ah, musica é um sofisticado respirar.

 
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Ramon Bernardo
Viver Sem Tempos Mortos

 
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Ramon Bernardo
Ao meu passado


“Devo-lhe muito!

Ao meu passado devo minha cultura.

Minha sabedoria.

Minha paciência.

E minha ignorância.”

Vagueia menina, nostálgica vida dentro deste quarto. Pegou todos os meninos para cuidar. Cuidou menos de si do que devia. Escreveu seu nome em bocas sujas. Esqueceu-se de lavar a sua boca antes de proferir seu próprio nome. Se já se sentes envergonhada com o caos que lhe caiu em vida, já não se sentes magoada por todos quantos deitados em sua cama morderam parte do seu futuro.

Mas quem quer saber de futuro? Perguntas do que vem pela frente são tolas, quando se teme o presente e não se esquece de o que se viveu. Não lhe deve contas! Não deve nada ao seu futuro, embora saiba que é dele a incerteza capaz de assombrar os homens.

Ao seu presente deve menos! Seu presente é deitar-se. Abrir-se. Não ousa sentir-se coitada! É boa demais para isso. Para lastimasses.

Ao seu passado deve-lhe tudo. Deve sua força, e sua fraqueza. Deve o medo de monstros e de homens. Sobre tudo de homens. Deve menos ontem, do que deverá amanha. O passado acrescido de juros diários é a regra vital de esse inóspito viver.

Essa menina é alguém que não ouso dizer o nome. Ela é dona de uma grande casa e de muitos filhos. Mas não é dona de si. Só é dona de seu passado, e nada mais lhe resta.

 
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Ramon Bernardo
Cego
 
Em meio a tantas almas sujas, a minha achou de ser mais suja que as demais.
Sou como um copo preenchido por água, mas não completo.
Me falta demônios.
Durmo a vida toda, acordo a morte todos os dias.
Sou como copo de água que evapora.
Evapora em meio a seca, é inútil.
Não serve.
Não sirvo.
 
 
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Ramon Bernardo
Xadrez com a morte
 
Me causa ânsia. 
Quase libero gofos, enquanto a morte beija-me os pés.
Sinto-me nua, e sem jogadas.
 
Feito carne podre, me jogas contra minhas crenças.
Com seus cavalos e bispos, me envolve e me deixa sem saída.
Ando em círculos.
 
Renego Deus.
Cuspo em sua face. A morte já é bem vinda.
Dou boas vindas á morte em minha alma.
 
Jogada.
Nua, e sozinha.
Perco a noção de tempo.
A dama se aproxima.
 
Já não há mais o que fazer.
Aceito perder, e jogo-me contra mim mesma.
Sou apenas uma jogadora incapacitada.
 
Xeque-mate!
Morte.
 
 
(Obs: Poema inspirado no épico, "O sétimo selo", filme conceituado e maravilhosamente bem escrito e dirigido.)
 
 
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Ramon Bernardo
- Brasil de anão.
 
"Nessa terra de gigantes (...) a juventude é uma banda, numa propaganda de refrigerante."


   Hoje eu abri a janela e vi ao acordar, logo ao acordar, uma sociedade distópica. Logo eu, um vagabundo sentimental, amante da cultura. Vi então, um futuro que não era bom. As mazelas do país, as piores. Me senti tão brasileiro que corri e escondi a bandeira estendida no quarto. Não podia ser verdade. Estudamos história e sabemos que seremos brevemente incluídos nela.
 
   Estavam todos na rua. Aos berros, via-se um povo militante, corajoso e incoerente. Acima dele o slogan mais controverso e pornográfico aos leitores. "O GIGANTE ACORDOU". Claro que, como leitor de tal feito, sorri dolorosamente e meu peito cantou o hino nacional sem patriotismo. Para um leitor, isso é a coisa mais triste de se ler. Mas, com a mídia noticiando coisas bárbaras como a 'patologização' da sexualidade, só se podia esperar um hino nacional cheio de eufemismo e mentiras gritantes. O povo sabe o que precisa e quer, mas não sabe direcionar sua petição. Seu slogan era pura falta de alto estima.
 
   Entre mil leitores, que tiveram suas córneas queimadas e seus tímpanos estuprados, vomitei palavras neutras, com medo de estar em campo minado. Onde está o gigante? - eu me perguntei. Mal sabia eu que o 'acordou' era a parte mais triste da leitura. Os que gritavam veemente seus direitos não chegavam sequer a ser a semente do pé de feijão, quem dirá o gigante. E esses 'joãos' barulhentos e reivindicadores nunca dormiram, portanto não despertaram.
 
   O melhor foi perceber, tardemente, que essa minoria e sua distância a anos luz de ser gigantesca foi acordando aos poucos os que de fato dormiam. Claro, é que muitos ainda dormiram por muitos anos. Mas, é um começo. O Barulho, o vandalismo, a incoerência de muitos e todas as falhas vãs desta mera revolução imprecisa e bagunçada atiçou minha ideia de que talvez, um dia, possamos discordar de Louis Couty, quando afirmou de forma sincera e fundamentada que "o Brasil não tem povo".
 
 
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Ramon Bernardo
Amor Mal Formado
 
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Eu não sou tão dura assim.
Eu já chorei por mim e, é claro, por ele.
Não me culpe, nem a ele.
Se o mundo fizesse sentido. Se eu não fosse chamada de monstro.
Talvez só assim, a dor me deixasse dormir.
O deixasse partir.
O meu corpo já foi feito e refeito por vezes.
Coisas da natureza.
Mas, não posso permiti-lo ser caixão.
Ele pode gerar vida e toda a dor de ver de mim a morte sair.
Anencefalia dos sentidos.
Sou feita para gerar inteiros.
Partes não.
Eu não escolhi isso.
Eu tenho direito de escolher abortar esse amor.
Eu digo sim.
Anencefalia do amor.
Amor que não pode pensar.
Amor que eu não posso conceber

 

 
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Ramon Bernardo
"Lágrimas, bebidas e calendários"
 
Tenho chorado em segredo. Tudo é tão desconexo agora.
Eu te amo, ainda. Eu acho que te amo.
Nunca tive medo dos dias como eu tenho hoje. Você me deixou meio que sangrando sobre os meses. Mas, meses limpos surgiram.
Eu dancei violentamente sobre nossas memórias, sem apagá-las. Eu só queria sujar tudo que restou de nós.
E agora o inevitável foi sacralizar a maldita sexta. O calendário já sabe. Meu corpo já sabe. A sexta sagrada das memórias, choro e bebidas fortes chegou.
E quando eu chego sóbrio ao meio da noite. Quando fico acordado na madrugado, me pergunto se isso é o futuro. Se isso vai se estender até meu corpo não suportar uma sexta se quer.
Eu vou me derreter no meio do etílico. Vou me rasgar em sangue, em meio a tantas cartas. Cartas que ninguém vai ler. Ninguém quer ler. Essa sexta se estende por anos emocionais. E todas as lágrimas cansadas de se esconder, querem revelar quão fraco sou.
Não irei permitir. Nem que toda bebida do mundo, as mais fortes, acabem. Eu vou encontrar outra maneira de burlar esse calendário. Eu vou encontrar outro dia da semana. Só não posso encontrar outro motivo.
Foi você, é você e vai ser você.
 
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Ramon Bernardo
Filosofia Mortal

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Há um raio de tristeza em mim. Por mais que tente chegar ao claro, esse raio, ele me torna ao escuro. Há dores em cima do muro. Há um morto dentro de mim. Eu queria sentir a vida de novo.

Mas por que eu preciso senti-la de novo? Sou eu um escravo? Sou. Sem dúvidas sou.

Somos todos. Esse é o atual modo de vida. A inércia moderna de seguir em frente. Conte-me o que você quiser. Cante-me, encante, minta. Use sua filosofia, toda ela. Mas no fim, você concordará comigo que essa vida tal qual segue, não passa de um ciclo simples de dor e amor, se é que sabemos a diferença entre eles.

Diga seus sonhos em voz alta, e não use eufemismo, por medo das pessoas ouvirem seus planos. Grite a verdade. Disfarce seu pleno egoísmo com os gritos.

Somos mortos. Por que viver não é isso. Vida não é seguir. Isso é existir.

Se você se sente cansado pode ser difícil acreditar que a vida recebe suas gratificações. A morte é menos dolorida.  Menos agitada. Parece, ao menos. Ledo engano. Morrer é pular de um estado de morte para outro.

A morte me atrai.

Não a morte física, orgânica. A morte salvação. A morte liberdade.

A morte que me tira deste estado de decadência, e me põe em estado de decomposição de ideias. Eu quero indagar. Derrame em mim um pouco de devastação. Mate-me em meros segundo e me deixe livre para a eternidade.

Só os verdadeiros filósofos podem assim proceder. Filosofia de verdade, não pena de morte em vida.
 

 
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Ramon Bernardo
Anatomia dos Desiludidos.

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 O que há se não vísceras?
A carne seca, sina, rotina.
Os pensamentos de um amor que lhe cubra a casa de alegria
Desfaz-se em meio à melodia de um dia findo.
Oh, amados
Mais um dia. Dias e dias, sem amor, sem nem mesmo a dor de amar.
Os legistas encontraram algo em seus corpos secos.
O coração era de certo modo, parado, por estar cheio de vontade.
Os pulmões parado por anos.
O que havia de vontade no coração, faltava em atitudes no pulmão.
Nem mesmo os médicos mais experientes ousam dizer o que houve.
Circulam hipóteses, sobre a ilusão de suas vidas.
Vidas terrenas, ingratas.
Não se faz mais desiludido como antes. Hoje eles são desmascarados.
Qualquer um consegue ver pelo estudo de seu corpo, que foram vítimas de amor.
De amor, propriamente não. De amor desiludido. De amor desilusão.
Chega a dar dó. Chega a dar repulsa.
Desilusão primeira samba depois.
Somos ou não meros tolos no amor?
Precisamos sempre reviver, reatar, relembrar.
O que seria de nós, meros mortais sem a arte cognitiva da nostalgia.
Somo membros desajustados de um corpo sem cabeça.
Vira e mexe me pergunto: por que existem conceitos do tipo "amor"?
Deixa essa cultura e valores platônicos de lado,
E segue com o coração de carne, em carne viva.
 

 
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