instagram

⌠ 42 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Amanda
Lis
Escrito por Amanda


Apesar de todos os personagens que criou para si, do fake na internet, do pseudônimo, do codinome, do anonimato, do tiro e do tapa, a mesma e sempre Lis é quem dá a última palavra no jogo sujo que sua mente faz. A assustada Lis não consegue ser como o corajoso Manoel, espontânea como a autêntica Vera. É Lis demais para ser Tereza. Mas que tristeza que é ser Lis. É um poço sem fundo, escuro e frio. É criança medrosa e invejosa sem pai pra mimar. Mas queria ser tantas e tantos tão mais felizes que já pode gastar horas planejando como ia ser: quando chegasse no palco, arrancaria lágrimas de riso e gozo e também de saudade. Só que tem o mal do assombro, de ser assim como um monstro de cabeça enorme. Queria ser Danda que dorme cedo e acorda boa, mas é Lis que uiva para a Lua e descontrola sempre. A madrugada é um grito de socorro. SOCORRO! - Alguém me ensine a ser humana, estou em pedaços inalienáveis. Estou sem esperança, mas não quero morrer, me soltem dos laços que poderei me salvar ainda.

⌠ 69 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Dani Ribeiro
Mesmice
Escrito por Dani Ribeiro
 
Cabelos ondulados levemente tingidos
Versava alguma poesia que não ousasse dizer
 
O “nó da garganta” deslizando em seus dedos
À espera do dito que a ela foi negado
 
O passo e a sandália abotinada nos pés
As unhas refeitas para serem esquecidas
 
E ficou entre um átimo e a semi-insanidade
Criando o seu tempo de trás para frente
 
A noite presente na ausência de corpo
O vício sustentado pela cobiça de fuga
 
Os trajes despidos, a carne branca e nua
O desejo contido em toques de mão fria
 
E ficou entre um átimo e a semi-insanidade
manipulando o seu tempo de trás para frente
 
 
Dani R.F.
⌠ 44 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Juventude Clichê
De Bandeja
Escrito por Juventude Clichê

de bandeja 1
de bandeja 2
de bandeja 3 copiar
de bandeja 4
Publicação original de The Wireless. Tradução de Catavento.
 
⌠ 59 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Samira
Meninice
Escrito por Samira Assis

alt
Menina, de tudo, da cereja em seus lábios, do pé cansado do salto alto, da meninice e do algodão. Ela amarrou seu laço do cadarço quando seu pé era descansado e sem calo. O cabelo pendia, mas com toda a leveza do mundo. Dos batons, ficaram os tocos na penteadeira, mas de qualquer idade, eternamente menina ficou. Deus deu a suavidade do seu ventre e seus dedos finos e delicados, que irão tocar os cabelos e as costas de seu filho. Lá daquele banco, uma menina sonha com o mundo inteiro, que não é nenhum mundo de dezenas de Louis Vitton separado por cores. A menina que honra sua meninice, sabe a virtude que pousou em si.  É a mesma a ter a honra ao olhar para sua mão enrugada e se recordar da juventude. Pois a menina, que um dia virou mulher, nunca deixou de ser menina.

⌠ 59 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Ederson Oliveira
A vida é sobre não estar imune
Escrito por Ederson Oliveira
 
Ninguém está imune de, em uma quarta-feira nublada de dezembro, achar alguém que torne seus dias mais leves e cheios de borboletas (que a essa altura já saíram do estômago e estão voando por aí). Depois disso, a relatividade do tempo fica tão evidente quanto seu sorriso bobo lendo mensagens no meio da tarde. Horas, meu amigo, podem ser uma intragável eternidade e minutos podem durar um século inteiro. Ele, o tempo, só reflete a velocidade do que a gente está sentindo, ora congelado pálido e ora mais apressado que a luz. Uma vez eu li que as coisas mais legais acontecem quando a gente está distraído, sem procurar, sem grandes expectativas. E fazendo uma rápida retrospectiva é muito fácil perceber que o que a gente tem de mais valioso hoje vieram de encontros casuais, de lugares comuns, sem nada de premeditado ou esperado por semanas. A vida tem esse capricho, de dar quando a gente não espera receber. Então, não menospreze o poder das quartas-feiras nubladas de dezembro e muito menos da gentileza que o universo é capaz de prover...

Ninguém está imune, entretanto, de, em um sábado chuvoso de março, deixar ir alguém que já não estava de verdade há tempos. É a ampulheta do tempo virando, e a gente com ela. As tais borboletas já foram sobrevoar outros lugares e a chuva de fora não é nem um pouco comparável ao dilúvio de dentro. É como se aquilo que começou naquela tarde de dezembro não apenas tivesse apenas se iniciado naquele momento, mas tivesse começado a acabar a partir de lá. “A gente começa e já começa a terminar”, porque o universo tende ao caos e a gente não seria diferente.

Não duvide da imprevisibilidade dos dias despretensiosos, não ache que a gentilezas vão durar para sempre e, sobretudo, nunca pense que outras tantas ainda não virão. Porque a vida, amigo, é sobre não estar imune.

 

⌠ 62 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Fábio C.
Gonzaguinha - Comportamento Geral
Escrito por Fábio C.


⌠ 76 avaliações para a publicação abaixo ⌡
Manoelle
Dom sem dono
Escrito por Manoelle D'França

alt

Teimosia de muitas forças,

indomável, sem controle algum.
Dissimulado e cheio de vícios,
nascido e criado em lugar nenhum.

Um intolerante noturno, matutino, vespertino.
Dom sem dono,
dom em desatino.
Desaba em cascatas de desequilíbrio,
mas tomba como flores na primavera.
Do coração,
suas palavras me fecham uma cratera.

Me possui quando tem vontade,
e some deixando-me à mercê da realidade.
A única cura para a dor que me causa,
o chão em que piso quando me desvia da estrada.
Meu lar quando me deixa adormecer no sereno.
Do melhor dos antídotos,
o inevitável veneno.